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Tipos de infertilidade

A infertilidade é um obstáculo na vida de muitos casais que desejam ter filhos. A prevalência dessa condição na sociedade contemporânea tem gerado preocupação entre os especialistas em medicina reprodutiva. Estima-se que entre 15% e 20% dos casais em idade fértil enfrentem dificuldades para engravidar.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a infertilidade é reconhecida como um problema de saúde pública e definida pela ausência de gravidez após um ano de tentativas, isto é, de relações sexuais frequentes e sem uso de métodos de contracepção.

O casal pode ser infértil devido a fatores femininos, masculinos ou de ambos. Também há situações em que nenhum problema é identificado durante a investigação diagnóstica, configurando infertilidade sem causa aparente (ISCA).

A infertilidade pode ser classificada como primária, quando o casal nunca conseguiu engravidar, ou secundária, nos casos em que o casal já teve um filho, mas tem dificuldades para conseguir novamente. Esse conceito vale para o casal, não para o homem nem para a mulher individualmente.

Este texto fala sobre aspectos importantes dos 3 diferentes tipos de infertilidade: feminina, masculina e ISCA.

Infertilidade feminina

Diversas alterações no sistema reprodutor podem tornar a mulher infértil, desde disfunções ovulatórias até obstrução tubária e doenças uterinas estruturais. O primeiro passo para identificar a infertilidade feminina é observar sinais e sintomas de possíveis anormalidades reprodutivas, como:

Essas manifestações podem ser provocadas por doenças que afetam os órgãos reprodutores. Conheça algumas das condições associadas à infertilidade feminina:

Infertilidade masculina

Aproximadamente 40% dos casais com disfunções reprodutivas têm fatores masculinos de infertilidade. A infertilidade do homem está relacionada a alterações na produção (quantidade), na qualidade (morfologia, motilidade e integridade do DNA espermático) e no transporte dos espermatozoides pelo trato reprodutivo.

As causas de alterações masculinas incluem:

Essas condições masculinas podem ser assintomáticas ou provocar sinais e sintomas que podem motivar a busca por avaliação médica, como dor e inchaço testicular, presença de veias dilatadas nos testículos, redução da libido, secreção peniana e outras alterações nos órgãos ou na função sexual.

Infertilidade sem causa aparente 

Uma fração dos casais inférteis não consegue identificar fatores específicos para explicar a dificuldade de engravidar e essa fração tem diminuído ao longo do tempo, com o avanço da medicina reprodutiva e da tecnologia. Esse cenário é definido como infertilidade sem causa aparente (ISCA).

A ISCA é uma condição estabelecida quando, após uma investigação completa, não são detectadas alterações nos sistemas reprodutores masculino e feminino que justifiquem a infertilidade.

Por ser um diagnóstico de exclusão, a ISCA é considerada controversa. Nessa circunstância, os casais apresentam:

Quando todos esses aspectos estão aparentemente sem irregularidades e o casal mantém uma frequência de relações sexuais adequada, mas a gestação não ocorre, pode-se considerar a ISCA.

Não existe, até o momento, uma padronização internacional sobre quais critérios exatamente definem a ISCA. A proporção de casais classificados com essa condição pode variar dependendo da extensão e da acurácia dos exames realizados.

Diagnóstico e tratamento da infertilidade

O diagnóstico das causas de infertilidade envolve uma série de exames para ambos os parceiros. Na avaliação da mulher, é comum realizar ultrassonografia pélvica para avaliar a reserva ovariana e a morfologia dos órgãos reprodutores e a histerossalpingografia, que verifica a permeabilidade tubária.

Testes de função hormonal e exames genéticos podem ser solicitados tanto para a mulher quanto para o homem. Já na avaliação específica da fertilidade masculina, o espermograma é o principal exame — se ele revelar alterações espermáticas, outras técnicas diagnósticas são solicitadas, como o ultrassom da bolsa testicular.

O tratamento da infertilidade varia de acordo com as causas encontradas, incluindo desde mudanças no estilo de vida e medicações até cirurgias e técnicas avançadas de reprodução humana assistida.

No campo da medicina reprodutiva, o acompanhamento do casal infértil é individualizado e criterioso, baseado nas causas da infertilidade, idade feminina, histórico clínico e reprodutivo, tempo de tentativas e expectativas do casal em relação ao tratamento.

A medicina reprodutiva trabalha com diversos tratamentos eficazes para cada caso — coito programado, inseminação intrauterina, fertilização in vitro (FIV) e várias técnicas complementares —, que podem ajudar a superar diferentes fatores de infertilidade.

Embora alguns exames sejam solicitados para todos os casais no início da avaliação da infertilidade, tanto a investigação quanto o tratamento de fatores que afetam a fertilidade é individualizado. Isso aumenta as chances de sucesso da reprodução assistida.