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Espermograma

Publicado em 15/08/2025

Dr. Mauro Bibancos

Durante a avaliação do casal infértil, tanto a mulher quanto o homem devem ser examinados com o mesmo cuidado. Apesar disso, ainda é comum que a atenção recaia mais sobre a saúde feminina — quando, na verdade, os fatores masculinos estão presentes em quase metade dos casos de infertilidade conjugal.

O espermograma é a principal ferramenta utilizada para avaliar o status funcional dos testículos, mas não pode ser considerado exatamente um exame de fertilidade. Isso porque a gravidez também depende de outros fatores, tanto da saúde do homem quanto relacionados às condições reprodutivas da mulher.

A análise seminal é um procedimento simples e acessível e que fornece informações importantes sobre a qualidade e a quantidade dos espermatozoides, além de dados sobre a função das glândulas sexuais masculinas.

Neste texto, mostraremos quando o espermograma pode ser indicado, o que ele avalia e o que fazer diante de alterações nos resultados.

Quando o espermograma pode ser indicado?

Casais que não conseguem engravidar naturalmente após 12 meses de tentativas devem buscar avaliação médica, e o espermograma estará entre os primeiros exames a serem realizados. 

O exame pode ser solicitado para avaliar a função testicular em diferentes situações. Veja quais:

  • planejamento reprodutivo — quando o homem ou o casal pretende ter filhos, é interessante realizar o espermograma para se planejar, inclusive no caso de casais homoafetivos ou pessoas que vão iniciar a transição de gênero;
  • avaliação após cirurgias no trato reprodutivo, como vasectomia, reversão de vasectomia e correção de varicocele;
  • controle dos efeitos de tratamentos oncológicos na fertilidade, os quais podem prejudicar as funções testiculares;
  • investigação de alterações hormonais ou infecções urogenitais;
  • congelamento de sêmen como forma de preservação da fertilidade, antes de tratamentos oncológicos ou cirurgias testiculares;
  • doação de sêmen — para doar seus gametas, o homem também precisa ser avaliado quanto à qualidade espermática.

Quais aspectos seminais o espermograma analisa?

O espermograma avalia aspectos macro e microscópicos do sêmen e dos espermatozoides. A análise segue os padrões estabelecidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Na análise macroscópica, são avaliados os aspectos físicos do sêmen, incluindo:

  • volume seminal, considerado normal quando uma amostra tem valor igual ou maior a 1,5 ml;
  • cor, que deve ser branca opalescente; 
  • pH, normal entre 7,2 e 7,8;
  • tempo de liquefação, deve ocorrer em até 60 minutos;
  • viscosidade do sêmen. 

A análise microscópica observa as seguintes características espermáticas:

  • concentração de espermatozoides — normal quando é igual ou maior que 15 milhões de gametas por ml de sêmen ou 39 milhões na amostra total do ejaculado; 
  • motilidade — pelo menos 32% dos espermatozoides devem apresentar movimento progressivo;
  • morfologia — 4% ou mais dos espermatozoides devem ter formato normal (cabeça oval, peça intermediária e cauda longa e uniforme);
  • vitalidade — no mínimo, 58% dos espermatozoides de uma amostra seminal devem estar vivos;
  • presença de células inflamatórias ou outras células anormais. 

Esses parâmetros refletem a atividade dos testículos, epidídimos e das glândulas acessórias (próstata e vesículas seminais). Alterações podem indicar desde infecções até distúrbios hormonais ou obstruções nos ductos do trato reprodutivo.

Quais são os possíveis resultados do espermograma?

O espermograma pode revelar diversas alterações que afetam o potencial fértil masculino. Abaixo, estão algumas das principais condições detectadas: 

  • normozoospermia, indica que os parâmetros seminais estão dentro da normalidade, de acordo com os valores de referência estabelecidos pela OMS;
  • oligozoospermia — baixa concentração de espermatozoides;
  • astenozoospermia — alto percentual de gametas com motilidade reduzida;
  • teratozoospermia — alta porcentagem de espermatozoides com anormalidades morfológicas;
  • necrozoospermia — maioria dos espermatozoides mortos;
  • azoospermia — ausência de espermatozoides no sêmen;
  • criptozoospermia — espermatozoides visíveis apenas após centrifugação.

Também é possível que os resultados do espermograma revelem: hipospermia (baixo volume de sêmen), hemospermia (presença de sangue), entre outras condições que precisam de uma investigação mais aprofundada.

Em muitos casos, duas ou mais alterações aparecem juntas, como na astenoteratozoospermia, que combina baixa motilidade com morfologia anormal.

Os resultados do espermograma são considerados conclusivos após pelo menos duas análises, feitas com amostras coletadas com 15 dias ou mais de intervalo.

O que fazer diante de resultados alterados no espermograma?

Um resultado alterado no espermograma não é um atestado definitivo de infertilidade masculina, mas indica que é necessário investigar mais profundamente as causas dessas alterações. O médico pode solicitar exames complementares como:

Dependendo do diagnóstico, é feito o tratamento das causas das alterações seminais, que pode incluir:

  • uso de medicamentos, como antibióticos, antioxidantes e fármacos hormonais; 
  • correção cirúrgica de varicocele ou obstruções;
  • mudanças no estilo de vida, como redução de estresse, tabaco e álcool, melhora da alimentação e prática regular de exercícios físicos.

Quando as alterações reveladas no espermograma são persistentes após outros tratamentos ou irreversíveis, a reprodução assistida pode oferecer bons resultados. Veja quais são as técnicas disponíveis para o tratamento da infertilidade masculina:

  • preparo seminal, técnica que permite selecionar em uma amostra somente os espermatozoides que apresentam boa motilidade e morfologia adequada e, portanto, são capazes de fertilizar o óvulo;
  • inseminação artificial ou intrauterina, pode ser indicada quando os espermatozoides têm qualidade moderada, com leves alterações na motilidade ou morfologia, e as tubas uterinas da mulher são funcionais;
  • fertilização in vitro (FIV) com injeção intracitoplasmática de espermatozoide (ICSI), uma opção mais promissora para os casos graves de fator masculino, como oligozoospermia ou azoospermia;
  • procedimentos de recuperação espermática — PESA, MESA, TESA, TESE e Micro-TESE, indicados quando não é possível obter um número viável de espermatozoides por meio da ejaculação.

O espermograma, como vimos, permite identificar alterações relacionadas à quantidade ou à qualidade dos espermatozoides, orientando o especialista sobre quais exames complementares ou tratamentos são mais adequados.



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