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Histeroscopia cirúrgica

Publicado em 21/08/2025

Dr. Mauro Bibancos

A histeroscopia cirúrgica é considerada o padrão ouro no tratamento de alterações da cavidade uterina. Essa técnica permite diagnosticar e tratar, de forma precisa, diversas condições que afetam o útero e que podem interferir na qualidade de vida e na fertilidade feminina.

Com esse procedimento ginecológico, é possível visualizar diretamente a cavidade uterina por meio de um aparelho chamado histeroscópio — um instrumento com uma pequena câmera acoplada, que é inserido pelo canal vaginal até captar imagens do interior do útero.

Existem duas formas de histeroscopia:

  • diagnóstica ou ambulatorial, usada para observação e diagnóstico e, eventualmente, para remoção imediata de pequenas lesões;
  • cirúrgica, indicada para tratar alterações maiores e diagnosticadas previamente.

Na modalidade cirúrgica, o histeroscópio é de maior calibre e permite a introdução de instrumentos cirúrgicos para o tratamento das lesões encontradas, como pólipo endometrial, mioma submucoso e aderências (sinequias). É um procedimento realizado em ambiente hospitalar, com anestesia, mas considerado minimamente invasivo.

A histeroscopia cirúrgica é um procedimento seguro, eficaz e, na maioria das vezes, a mulher tem rápida recuperação. Justamente por isso, tem sido cada vez mais indicada no contexto da reprodução assistida quando há suspeita de alterações que possam prejudicar a implantação embrionária e aumentar o risco de falhas na fertilização in vitro (FIV)

Em quais situações a histeroscopia cirúrgica pode ser indicada?

A histeroscopia cirúrgica pode ser indicada quando há suspeita ou confirmação de anormalidades dentro da cavidade do útero que possam causar sintomas ou dificultar a gravidez.

Essas anormalidades são normalmente detectadas em exames de ultrassonografia transvaginal, histerossalpingografia, ressonância magnética da pelve ou com a própria histeroscopia diagnóstica.

As indicações mais comuns da histeroscopia cirúrgica incluem: 

  • sangramento uterino anormal (ciclos prolongados, intensos ou fora do período esperado);
  • sangramento na pós-menopausa, que é um indício de pólipo endometrial e um fator de risco para câncer de endométrio;
  • espessamento anormal do tecido endometrial (tecido que reveste o útero internamente);
  • infertilidade feminina por fator uterino;
  • remoção de corpo estranho, como dispositivo intrauterino (DIU) retido ou com posicionamento inadequado.

Além disso, a histeroscopia pode ser indicada antes da fertilização in vitro para avaliar o endométrio e garantir que a cavidade uterina esteja preparada para a implantação embrionária.

Como a histeroscopia cirúrgica é feita?

A histeroscopia cirúrgica é realizada em ambiente hospitalar, com o suporte de anestesia (geral ou sedação venosa, conforme a complexidade do caso e a indicação médica). A paciente é posicionada em litotomia dorsal, ou seja, na posição ginecológica tradicional, com os membros inferiores apoiados.

O histeroscópio é inserido pela vagina e através do canal cervical até chegar na cavidade uterina, sem necessidade de incisões. O útero é distendido com solução de soro fisiológico, mantida sob fluxo contínuo para permitir a visualização interna. Isso facilita a identificação das lesões a serem tratadas.

A distensão uterina deve ser monitorada com precisão para evitar absorção excessiva do fluído, que pode levar a sobrecarga hídrica e outras complicações eletrolíticas.

As imagens captadas pela câmera do histeroscópio são transmitidas em tempo real para um monitor, possibilitando ao cirurgião mapear toda a cavidade uterina de forma detalhada. Quando alguma alteração é identificada, são utilizados instrumentos de calibre reduzido para o procedimento cirúrgico, tais como pinças e tesouras para preensão e ressecção.

A ressecção dos tecidos é feita com precisão milimétrica, sob visualização direta, o que reduz o risco de lesões em áreas saudáveis do útero. Após a finalização dos procedimentos, o histeroscópio é retirado, e a paciente é encaminhada para recuperação anestésica. A alta hospitalar pode ocorrer no mesmo dia.

O pós-operatório da histeroscopia cirúrgica geralmente é tranquilo. A paciente pode apresentar leve sangramento vaginal por alguns dias, bem como cólicas leves e sensação de distensão abdominal.

A retomada das atividades diárias é liberada em 24 a 48 horas. A relação sexual e os exercícios intensos devem ser evitados por alguns dias, conforme orientação médica.

Os casos com retirada de grandes miomas ou múltiplas aderências podem exigir um protocolo de seguimento com exames de controle e até o uso de estrogênios por curto período, para estimular a regeneração adequada do endométrio.

Quais condições a histeroscopia cirúrgica pode tratar?

A histeroscopia cirúrgica permite tratar diversas alterações que, se não forem corrigidas, podem interferir na fertilidade, causar sintomas ginecológicos ou aumentar o risco de complicações obstétricas.

Veja as principais condições que podem ser tratadas com essa técnica:

  • miomas submucosos — tumores benignos que crescem em direção à camada interna do útero e podem dificultar a implantação do embrião, causar sangramentos e aumentar o risco de aborto;
  • pólipos endometriais — neoformações no endométrio, que podem gerar sangramentos irregulares, além de prejudicar a fertilidade, inclusive diminuindo as chances de sucesso dos tratamentos de reprodução assistida;
  • útero septado — um tipo de malformação congênita que forma uma “parede” no interior do órgão, aumentando o risco de perda gestacional;
  • sinequias uterinas (síndrome de Asherman) — aderências que surgem após curetagem, cirurgias ou infecções. Em grande quantidade, elas reduzem o espaço interno do útero, impedindo a implantação do embrião e a evolução da gravidez.

Histeroscopia cirúrgica e reprodução assistida: quando aliar as técnicas?

A histeroscopia cirúrgica é uma grande aliada da reprodução assistida nos casos de infertilidade por fator uterino ou falhas repetidas em tratamentos com FIV. Nesse contexto, a técnica pode ser indicada para casais com:

  • histórico de abortamento de repetição;
  • falhas anteriores de implantação embrionária;
  • resultados alterados na avaliação do endométrio;
  • diagnóstico de miomas, pólipos, aderências intrauterinas ou útero septado.

A correção dessas alterações tende a melhorar as taxas de implantação embrionária e diminuir os riscos de complicações gestacionais. As pacientes podem retomar suas tentativas de gravidez no ciclo seguinte à histeroscopia cirúrgica, de acordo com a avaliação do especialista.

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