Miomas
Os miomas ou leiomiomas uterinos são tumores benignos formados por células de musculatura lisa e tecido conjuntivo que se originam na camada intermediária da parede do útero, isto é, no miométrio. Eles podem ser assintomáticos ou provocar sintomas que prejudicam o bem-estar da mulher, como o sangramento anormal. Além disso, podem provocar infertilidade feminina, dependendo de sua localização.
Para entender como os miomas afetam o útero, é importante conhecer a constituição histológica desse órgão. A parede do útero é formada por três camadas:
- a mais interna é o endométrio, tecido que se renova ciclo após ciclo menstrual para possibilitar a implantação do embrião, caso ocorra fecundação;
- a camada intermediária, formada por tecido muscular, é o miométrio, responsável pelas contrações uterinas e pela expansão do órgão durante a gravidez;
- a parte externa do útero é o perimétrio ou camada serosa, ela recobre o órgão e o protege na cavidade pélvica.
Os miomas são os tumores ginecológicos mais comuns em mulheres em idade fértil. Muitos deles nem chegam a ser diagnosticados, enquanto outros são encontrados especificamente durante a investigação da infertilidade.
Causas e fatores de risco dos miomas
A causa exata dos miomas ainda não é totalmente conhecida, mas sabe-se que seu desenvolvimento está fortemente associado à ação dos hormônios reprodutivos femininos, sobretudo o estrogênio, que estimula o crescimento das células uterinas. Outros fatores contribuintes incluem predisposição genética, idade e alguns hábitos de vida.
Veja quais são os principais fatores de risco para o desenvolvimento dos miomas uterinos:
- histórico familiar de miomas;
- idade entre 30 e 50 anos;
- primeira menstruação precoce;
- obesidade ou sobrepeso;
- consumo excessivo de álcool ou carne vermelha;
- ausência de gestações anteriores (nuliparidade);
- etnia afrodescendente.
Principais sintomas de mioma
Embora muitos sejam assintomáticos, os miomas podem desencadear uma série de sintomas, que variam de acordo com sua localização e tamanho. As manifestações mais frequentes são:
- sangramento uterino anormal, com menstruações intensas ou prolongadas;
- cólicas menstruais intensas;
- dor ou sensação de pressão na pelve;
- dor na relação sexual;
- aumento do volume abdominal;
- micção frequente ou dificuldade para esvaziar a bexiga;
- constipação intestinal.
O frequente sangramento excessivo pode levar à deficiência de ferro e anemia. Outra possível consequência dos miomas é a infertilidade, devido à distorção da cavidade endometrial e à dificuldade de implantação embrionária.
Durante a gestação, dependendo do tamanho e da localização dos miomas, também há risco de complicações, como aborto espontâneo, restrição de crescimento fetal, trabalho de parto prematuro, apresentação fetal anômala e maior risco de cesariana.
Exames para o diagnóstico de mioma

A investigação diagnóstica dos miomas começa com a avaliação clínica e é concluída com exames de imagem. A ultrassonografia transvaginal é o método de escolha inicial, por ser acessível, não invasivo e apresentar boa acurácia. Em alguns casos, a ressonância magnética da pelve pode ser indicada para uma avaliação mais detalhada, especialmente quando se considera tratamento cirúrgico.
Os miomas são classificados segundo sua localização na parede uterina:
- os submucosos crescem em direção ao endométrio e são os que mais causam sangramentos e impactos na fertilidade, visto que eles se projetam para dentro da cavidade uterina;
- os intramurais são os mais comuns, crescem dentro da parede do útero, limitando-se à camada miometrial;
- os subserosos se projetam para a parte externa do útero, em direção à cavidade abdominal. São os que podem atingir maiores volumes e pressionar os órgãos adjacentes, causando alterações urinárias e intestinais.
Outra classificação importante e mais detalhada é proposta pela Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia (FIGO). De acordo com essa escala, os miomas são numericamente categorizados do tipo 0 (totalmente intracavitário) ao tipo 8 (mioma com localização indefinida, como o cervical ou parasitário). Veja a classificação completa:
- 0 — inteiramente intracavitário (submucoso, dentro da cavidade uterina);
- 1 — submucoso com menos de 50% do volume inserido na parede uterina (mais de 50% projetado para a cavidade);
- 2 — submucoso com 50% ou mais do volume inserido na parede uterina;
- 3 — 100% intramural, mas encostado no endométrio (sem projeção para a cavidade);
- 4 — inteiramente intramural, sem contato com o endométrio nem com a serosa.
- 5 — subseroso com 50% ou mais do volume inserido na parede uterina;
- 6 — subseroso com menos de 50% inserido na parede (mais de 50% projetado para fora do útero);
- 7 — subseroso pediculado, totalmente fora da parede do útero, preso por um pedículo;
- 8 – mioma de localização extrauterina (ex: cervical, parasita, ligado a outras estruturas abdominais).
Formas de tratamento dos miomas uterinos
O tratamento dos miomas uterinos deve ser individualizado, considerando o tamanho, localização, sintomas, idade da paciente, planos de gravidez e presença de outras condições associadas.
As abordagens terapêuticas incluem:
- conduta expectante — indicada quando os miomas são pequenos, assintomáticos e não interferem na fertilidade. Demanda somente o acompanhamento regular para monitorar, por exame de imagem, se houve crescimento dos tumores existentes ou surgimento de novos;
- tratamento clínico — é feito com o uso de fármacos anti-inflamatórios e medicações hormonais para o controle dos sintomas e a redução temporária do volume dos miomas. O tratamento com contraceptivos hormonais, no entanto, não é indicado quando a paciente tem intenção de engravidar;
- tratamento cirúrgico — pode envolver técnica conservadora ou radical, dependendo do desejo reprodutivo e da gravidade do mioma. A primeira opção é a miomectomia, na qual é feita a retirada do tumor, preservando o útero. Já a histerectomia, cirurgia de remoção do útero, é recomendada somente em casos mais graves e quando a mulher não pretende mais engravidar;
- ablação por radiofrequência ou embolização das artérias uterinas são outras opções de tratamento minimamente invasivas e com bons resultados em casos selecionados;
- técnicas de reprodução assistida — são indicadas quando os miomas comprometem a fertilidade. A fertilização in vitro (FIV) é uma alternativa eficaz nesse contexto e que pode ser realizada após a miomectomia para aumentar as chances de gravidez.
Após os tratamentos, recomenda-se manter o acompanhamento médico contínuo, pois os tumores podem crescer novamente durante a idade reprodutiva. Por último, vale ressaltar que mulheres com miomas ou outras doenças uterinas devem buscar orientação adequada sobre as melhores estratégias para poupar sua fertilidade e melhorar a qualidade de vida.
Dr. Mauro Bibancos | WhatsApp