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Preservação da fertilidade

Publicado em 21/08/2025

Dr. Mauro Bibancos

O desejo de ter filhos faz parte da vida de muitas pessoas, mas nem sempre esse projeto está alinhado ao tempo biológico necessário para o pleno funcionamento do sistema reprodutor. Hoje, é comum adiar a maternidade ou a paternidade por motivos pessoais, profissionais ou de saúde. Felizmente, a medicina reprodutiva disponibiliza técnicas eficazes para a preservação da fertilidade

Com a vitrificação, é possível congelar o material genético com segurança, possibilitando as tentativas de gravidez em um momento futuro que seja mais favorável. Assim, os métodos de preservação da fertilidade oferecem mais autonomia para quem quer ou precisa adiar os planos de ter filhos.

Existem duas formas de preservação da fertilidade:

    • a preservação social, que é motivada por uma decisão pessoal, sem causa médica envolvida;
    • a preservação oncológica ou terapêutica, indicada para mulheres e homens que vão passar por tratamentos médicos que colocam a fertilidade em risco.

    Essas técnicas permitem preservar óvulos, espermatozoides e embriões, os quais poderão ser utilizados futuramente em um tratamento de reprodução humana assistida, sobretudo com a fertilização in vitro (FIV). Pacientes pré-púberes também contam com a possibilidade de congelar tecidos gonádicos (extraídos dos ovários ou testículos), uma vez que eles ainda não têm células reprodutivas maduras.

    Preservação social da fertilidade

    Essa opção de preservação da fertilidade é a mais comum entre mulheres que desejam adiar a maternidade sem comprometer as chances futuras de gravidez. O procedimento consiste, principalmente, no congelamento de óvulos, idealmente realizado entre os 30 e 35 anos, quando a reserva ovariana e a qualidade dos gametas ainda são favoráveis.

    A preservação social da fertilidade é indicada, por exemplo, para mulheres que estão priorizando outros projetos pessoais ou profissionais e preferem deixar os planos de gravidez para uma fase em que tenham mais estabilidade. 

    O adiamento da maternidade também pode ser motivado pela mudança nas dinâmicas dos relacionamentos, tendo em vista que muitas mulheres com idade próxima aos 35 anos ainda não encontraram um parceiro com quem dividam o propósito de formar uma família.

    A preservação social da fertilidade envolve estimulação ovariana, coleta dos óvulos e congelamento por vitrificação. Quando a mulher decidir engravidar, os óvulos serão descongelados e fecundados em laboratório, utilizando a FIV.

    Preservação oncológica da fertilidade

    A preservação oncológica ou terapêutica da fertilidade é indicada para pacientes que precisam passar por tratamentos que podem comprometer as funções ovarianas e testiculares. Esse risco existe em terapias como:

    • quimioterapia;
    • radioterapia pélvica ou abdominal; 
    • cirurgias nos ovários e testículos.

    Em mulheres adultas, as opções de preservação oncológica da fertilidade incluem: congelamento de óvulos, ideal para quem ainda não tem parceiro e precisa preservar seus próprios gametas; criopreservação de embriões, indicada quando a paciente já tem um parceiro antes do início do tratamento e divide com ele planos de ter filhos.

    Quando a preservação da fertilidade é feita com o congelamento de embriões, eles são descongelados e transferidos para o útero após a mulher passar por preparo endometrial. Trata-se de uma técnica com alta taxa de sobrevivência embrionária e bons resultados clínicos.

    Para meninas que ainda não atingiram a puberdade, existe a possibilidade de preservar a fertilidade com o congelamento de tecido ovariano, que pode ser reimplantado no futuro para restaurar a função hormonal e ovulatória.

    Preservação de espermatozoides

    Os homens também podem preservar sua fertilidade, tanto por escolha pessoal quanto por razões médicas. A forma mais comum é o congelamento de sêmen, um procedimento simples, rápido e eficaz, realizado a partir da coleta de amostras do material masculino.

    As indicações para preservação de espermatozoides incluem:

    • início de tratamento oncológico; 
    • cirurgias pélvicas, como correção de varicocele ou retirada de tumor testicular; 
    • distúrbios autoimunes;
    • preservação social em casos de planejamento tardio de paternidade.

    Apesar de menos procurada, a preservação social da fertilidade masculina também é possível e merece atenção. Isso porque, embora a produção espermática continue com o avanço da idade do homem, há uma queda na qualidade dos espermatozoides.

    Conforme o homem envelhece, existe uma associação com o surgimento ou agravamento de condições clínicas que podem piorar os parâmetros seminais, tais como alterações hormonais, doenças crônicas e uso de medicamentos.

    Ao contrário da mulher, que pode utilizar seus óvulos congelados somente em uma FIV, o homem também tem a opção de descongelar os espermatozoides para um tratamento de baixa complexidade com a inseminação artificial ou intrauterina. 

    Entretanto, a inseminação intrauterina somente pode ser realizada se a quantidade e a qualidade seminal forem boas e se a parceira do paciente for jovem, com tubas uterinas saudáveis e boa reserva ovariana.

    A FIV, contudo, ainda é o método com maiores taxas de sucesso, especialmente quando a mulher tem mais de 35 anos ou há algum fator adicional de infertilidade conjugal. 

    Em meninos pré-púberes com diagnóstico de câncer, existe também a possibilidade de fazer a preservação da fertilidade com o congelamento de tecido testicular, mas esse método ainda é considerado experimental.



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