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Azoospermia é uma anormalidade seminal caracterizada pela ausência de espermatozoides no fluído ejaculado. Essa condição afeta aproximadamente 1% da população total masculina, e está presente em até 15% dos homens inférteis.

Para entender a azoospermia e suas implicações na fertilidade, é importante conhecer o funcionamento do sistema reprodutor masculino, ou seja, como ocorrem os processos de produção, maturação e transporte dos gametas para que o sêmen contenha espermatozoides.

O trato reprodutivo do homem é formado pelos seguintes órgãos: testículos, epidídimos, canais deferentes, vesículas seminais, próstata, uretra e pênis. A produção dos espermatozoides ocorre nos testículos, influenciada pela ação dos hormônios FSH, LH e testosterona.

Em seguida, os espermatozoides ficam armazenados nos ductos localizados atrás dos testículos, os epidídimos, onde passam por um período de amadurecimento e adquirem motilidade.

A etapa seguinte do percurso dos espermatozoides é o transporte pelos canais deferentes. Dessa forma, eles conseguem se misturar com as secreções das vesículas seminais e da próstata, formando o sêmen. 

Na ejaculação, o líquido seminal é liberado pela uretra e os espermatozoides podem entrar no corpo feminino, migrar até as tubas uterinas e realizar a fertilização do óvulo. 

Portanto, alterações nas etapas de produção, maturação ou transporte dos gametas podem resultar em azoospermia e infertilidade, uma vez que os espermatozoides não são liberados e não chegam ao local da fecundação. 

Tipos e causas de azoospermia

A azoospermia não é uma doença em si, mas uma consequência de diferentes condições que afetam o sistema reprodutor masculino, as quais podem ser: pré-testiculares, testiculares ou pós-testiculares.

De acordo com suas características, a azoospermia pode ser classificada como obstrutiva e não obstrutiva. Veja as diferenças e as causas:

Azoospermia obstrutiva

Nesse tipo, os problemas são pós-testiculares. Os espermatozoides são produzidos normalmente, mas não são devidamente transportados até o sêmen devido a algum bloqueio em seu trajeto. 

Cerca de 40% dos homens azoospérmicos têm azoospermia obstrutiva. As causas dessa alteração incluem:

Não obstrutiva

Nesse caso, que acomete até 60% dos homens azoospérmicos, o problema está na produção dos espermatozoides, que é reduzida ou inexistente. Pode decorrer de disfunções testiculares (por exemplo, varicocele) ou pré-testiculares (alterações hormonais).

A azoospermia não obstrutiva é, muitas vezes, considerada idiopática (sem causa exata definida). No entanto, há uma lista de possíveis fatores causais:

Exames para detectar a azoospermia

Os homens com azoospermia podem demorar a procurar avaliação médica, principalmente porque não há sinais claros de alteração seminal. O volume, a coloração e outros aspectos físicos do sêmen geralmente são inalterados, e a ausência dos espermatozoides somente pode ser confirmada com uma análise microscópica.

Apesar de a azoospermia não apresentar sintomas específicos, ela pode ser provocada por doenças que causam sinais clínicos, como ginecomastia (crescimento anormal das glândulas mamárias), redução do crescimento de pelos, perda de massa muscular, entre outros. A infertilidade prolongada do casal também serve como indício de que há alguma alteração.

A azoospermia é identificada pelo espermograma, exame que analisa os parâmetros macro e microscópicos do sêmen em laboratório. Para confirmar o diagnóstico, são necessárias pelo menos duas amostras, coletadas com intervalo mínimo de duas semanas. 

Uma vez confirmada a ausência de espermatozoides, é preciso prosseguir com a investigação das causas, que pode incluir:

Formas de tratamento da azoospermia

Em alguns casos de azoospermia, é possível corrigir as condições subjacentes e restabelecer os parâmetros seminais normais. Em outros, as técnicas de reprodução assistida representam alternativas mais promissoras.

Veja algumas possibilidades de tratamento das causas subjacentes:

Contudo, nem sempre a azoospermia pode ser revertida com tratamento medicamentoso ou cirúrgico. Quando não é possível restaurar a fertilidade natural, as técnicas de reprodução assistida disponíveis são:

A azoospermia é uma condição complexa, que exige investigação cuidadosa e acompanhamento com médicos especialistas. Apesar de representar um desafio, muitos homens conseguem superar essa alteração com o tratamento adequado.