Botão whatsapp contato Dr. Mauro Bibancos Dr. Mauro Bibancos | WhatsApp
Botão whatsapp contato Dr. Mauro Bibancos

Teste de fragmentação do DNA espermático

Publicado em 15/08/2025

Dr. Mauro Bibancos

Na avaliação da fertilidade masculina, o espermograma ainda é o exame mais solicitado, pois fornece informações essenciais sobre a concentração, motilidade e morfologia dos espermatozoides. 

No entanto, existem situações em que o espermograma apresenta resultados normais, mas a gravidez ainda não acontece. Nesses casos, o problema pode estar na qualidade genética dos espermatozoides — mais especificamente na fragmentação do DNA espermático

O teste de fragmentação do DNA espermático é uma ferramenta complementar importante na investigação da infertilidade masculina. Ele permite analisar a integridade do material genético presente nos espermatozoides, algo que não é avaliado na análise seminal convencional.

O que é fragmentação do DNA espermático?

Cada espermatozoide carrega metade do material genético necessário para a formação de um embrião. A fragmentação do DNA espermático ocorre quando há quebra, danos ou alterações na estrutura do DNA dentro dessas células, o que pode prejudicar a capacidade de gerar embriões saudáveis.

Essas quebras podem ser simples (em uma das fitas de DNA) ou duplas (nas duas fitas). Os prejuízos podem ocorrer no processo de fertilização do óvulo, no desenvolvimento embrionário, na implantação do embrião no útero ou até na evolução da gestação.

Mesmo quando os espermatozoides apresentam parâmetros adequados na análise microscópica do espermograma (contagem, motilidade e morfologia normais), a integridade do DNA pode estar comprometida. Sendo assim, o teste de fragmentação do DNA espermático pode ser uma peça-chave para investigações mais aprofundadas.

Índices moderados de fragmentação do DNA espermático são normais, mas altos níveis podem afetar a fertilidade masculina. As possíveis causas desse problema incluem:

  • estresse oxidativo (produção excessiva de radicais livres); 
  • varicocele (dilatação anormal das veias testiculares); 
  • infecções urogenitais; 
  • exposição a calor excessivo;
  • tabagismo, uso imoderado de álcool e outras drogas;
  • contato frequente com poluentes, pesticidas ou metais pesados; 
  • radioterapia e quimioterapia.

Muitos desses fatores são reversíveis com mudanças no estilo de vida e tratamentos direcionados. Portanto, o diagnóstico precoce é importante para tratar essa alteração quanto antes e melhorar a fertilidade.

Quando o teste de fragmentação do DNA espermático pode ser indicado?

Esse teste pode ser indicado em situações específicas, por exemplo, quando o casal tem infertilidade sem causa aparente (ISCA) ou quando os tratamentos anteriores de reprodução assistida não foram bem-sucedidos.

Veja as principais indicações:

  • falhas repetidas de implantação embrionária em ciclos de fertilização in vitro (FIV)
  • abortamento de repetição
  • infertilidade idiopática (sem causa definida após investigação); 
  • homens com varicocele diagnosticada; 
  • idade avançada;
  • homens com risco ocupacional, isto é, exposição a fatores ambientais gonadotóxicos.

O teste de fragmentação do DNA espermático também pode ser considerado antes do congelamento de sêmen para realizar a preservação da fertilidade com um material de boa qualidade genética.

Como os testes de fragmentação do DNA espermático são feitos?

Existem diferentes métodos laboratoriais para avaliar a fragmentação do DNA espermático. Os mais utilizados são:

  • SCSA (Sperm Chromatin Structure Assay) — utiliza citometria de fluxo para avaliar o grau de desnaturação do DNA. Fornece um índice que quantifica a porcentagem de espermatozoides com DNA fragmentado;
  • TUNEL (Terminal deoxynucleotidyl transferase dUTP nick end labeling) — identifica quebras na dupla fita do DNA. É uma das técnicas mais sensíveis e específicas;
  • Comet Assay (Ensaio cometa) — avalia danos no DNA individualmente, observando a migração do material genético após aplicação de corrente elétrica;
  • SCD (Sperm Chromatin Dispersion) — analisa a dispersão da cromatina do espermatozoide após exposição a ácidos e corantes. Quanto menor a dispersão, maior a fragmentação.

O exame é realizado a partir de uma amostra de sêmen, coletada por masturbação em laboratório especializado, assim como é feito para o espermograma. A escolha dos métodos de avaliação depende da indicação clínica e dos recursos laboratoriais disponíveis.

Qual a importância de avaliar a fragmentação do DNA espermático na reprodução assistida?

A integridade do DNA espermático tem impacto nas taxas de fertilização, implantação embrionária, desenvolvimento do embrião e evolução da gravidez, tanto em concepções naturais quanto nas que são obtidas por reprodução assistida. Por isso, os altos índices de fragmentação podem interferir nos resultados da FIV e aumentar os riscos de falhas repetidas ou abortamentos.

Após uma avaliação aprofundada e com o diagnóstico adequado, é possível: 

  • orientar condutas clínicas e laboratoriais personalizadas;
  • indicar o tratamento específico das condições subjacentes;
  • adotar suplementação com antioxidantes e vitaminas; 
  • orientar mudanças de estilo de vida para reduzir o estresse oxidativo; 
  • utilizar técnicas de seleção espermática avançadas, como o ZyMot (dispositivo de microfluidos), que auxilia na escolha dos espermatozoides de melhor motilidade e com menores taxas de fragmentação do DNA espermático.

Essas estratégias podem ajudar a melhorar os resultados da FIV e aumentar as chances de uma gestação bem-sucedida. Por isso, é importante realizar uma investigação detalhada antes de iniciar um tratamento de reprodução humana.

Os testes de fragmentação do DNA espermático, embora não sejam de uso rotineiro na etapa de investigação da infertilidade conjugal, podem ser ferramentas úteis no planejamento dos tratamentos de reprodução assistida. Eles oferecem uma avaliação mais aprofundada da qualidade genética dos espermatozoides, o que permite traçar estratégias terapêuticas mais eficientes.



Você pode se interessar também:

Avaliação da reserva ovariana

Histeroscopia ambulatorial