A trombofilia pode ser classificada como hereditária ou adquirida. As formas hereditárias resultam de mutações genéticas que afetam os mecanismos de coagulação do sangue, sendo as principais:
- mutação no fator V de Leiden;
- deficiência de antitrombina.
Com relação às trombofilias adquiridas, os fatores de risco incluem:
- obesidade;
- sedentarismo;
- uso de contraceptivos orais;
- gravidez e puerpério;
- idade avançada;
- traumas;
- imobilização após cirurgia;
- longos períodos de imobilização;
- histórico familiar de trombose.
Sinais e sintomas de trombofilia
A trombofilia, enquanto condição predisponente, é assintomática. Caso ocorra um evento trombótico, os sinais e sintomas dependem do local de formação do trombo:
- a trombose venosa profunda dos membros inferiores pode causar dor, inchaço, vermelhidão e sensação de peso na perna afetada;
- na embolia pulmonar, os sintomas incluem dor torácica, falta de ar e taquicardia;
- o acidente vascular cerebral (AVC) provoca sintomas súbitos, como fraqueza, tontura, dificuldade na fala, dormência ou paralisia de um lado do corpo e dor de cabeça intensa.
Em mulheres, a trombofilia também pode se manifestar por meio de problemas obstétricos, como:
- abortamento espontâneo recorrente;
- pré-eclâmpsia;
- descolamento prematuro de placenta;
- restrição de crescimento fetal;
- líquido amniótico reduzido;
- óbito fetal.
A trombofilia está associada a dificuldades reprodutivas, pois a formação de trombos nos vasos sanguíneos uterinos pode comprometer a implantação embrionária e o desenvolvimento placentário. Além disso, a própria fisiologia da gestação induz um estado de hipercoagulabilidade para evitar sangramentos. Assim, a presença aumentada de coágulos prejudica o transporte do sangue materno para o feto, que deveria levar oxigênio e nutrientes.
Exames para o diagnóstico de trombofilia

O diagnóstico da trombofilia envolve avaliação clínica e exames laboratoriais específicos para identificar alterações nos fatores de coagulação. Os principais testes pesquisam:
- mutação do Fator V de Leiden;
- mutação do gene da protrombina (G20210A);
- dosagem de antitrombina;
- dosagem de homocisteína;
- anticoagulante lúpico;
- anticardiolipina IgG e IgM.
Formas de tratamento
O tratamento da trombofilia tem o objetivo de prevenir a formação de coágulos, portanto deve incluir o uso de anticoagulantes, como a heparina, a warfarina e o ácido acetilsalicílico (AAS).
O uso desses fármacos deve ser acompanhado pelo médico especialista, considerando os riscos e benefícios, especialmente em mulheres grávidas ou que planejam engravidar. A posologia pode variar de acordo com o tipo de trombofilia e a saúde geral de cada paciente.
Em casos de infertilidade, técnicas de reprodução assistida, como a fertilização in vitro (FIV), que envolve um controle rigoroso do processo de concepção, também podem ser indicadas. Os protocolos são personalizados para minimizar o risco de eventos trombóticos e aumentar as chances de sucesso gestacional.
O acompanhamento multidisciplinar, envolvendo hematologista, especialista em reprodução assistida e ginecologista obstetra, é essencial para o manejo adequado da trombofilia em mulheres que desejam engravidar.
Alguns cuidados importantes são:
- início do uso de heparina já durante a estimulação ovariana;
- continuidade do tratamento anticoagulante após a transferência embrionária;
- acompanhamento conjunto com equipe de hematologia;
- monitoramento precoce e rigoroso em caso de gestação.
Os cuidados não devem ser interrompidos logo após o nascimento do bebê. O uso dos medicamentos é necessário até 40 dias após o parto, visto que no puerpério também há mecanismos fisiológicos que aumentam o risco de hipercoagulação.
Mesmo que represente um desafio, a mulher que tem o diagnóstico de trombofilia pode engravidar e vivenciar uma gestação segura e bem-sucedida com o acompanhamento de uma equipe multidisciplinar.
Dr. Mauro Bibancos | WhatsApp