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Síndrome dos ovários policísticos (SOP)

A síndrome dos ovários policísticos (SOP) é uma endocrinopatia complexa, caracterizada por alterações hormonais que afetam mulheres em idade reprodutiva. O nome dessa disfunção está relacionado à presença de múltiplos pequenos cistos nos ovários, visíveis ao exame ultrassonográfico.

Contudo, o diagnóstico não depende exclusivamente da presença dos cistos. A mulher que desenvolve SOP pode ter manifestações clínicas e laboratoriais de hiperandrogenismo (excesso de hormônios masculinos), alterações essas que afetam a saúde endócrino-metabólica e até a autoestima.

Outra importante característica da SOP é a anovulação crônica (ausência de ovulação), o que a torna uma das principais causas de infertilidade feminina.

Embora seja uma condição complexa, a SOP é tratável. Sendo assim, com o acompanhamento médico adequado, é possível melhorar a saúde, a autoestima e a fertilidade.

Causas da síndrome dos ovários policísticos

A causa exata da SOP é desconhecida, mas acredita-se que a combinação entre predisposição genética e fatores ambientais estabeleça os estímulos primários para o desenvolvimento da doença. Pode-se dizer que se trata de uma condição multigênica e associada a aspectos epigenéticos.

Distúrbios na produção e regulação de hormônios como a insulina e os andrógenos estão entre os principais mecanismos fisiopatológicos. A resistência insulínica, a inflamação crônica de baixo grau e o excesso de hormônios masculinos interferem no processo de foliculogênese (desenvolvimento dos folículos ovarianos) e aumentam o risco de comorbidades, como diabetes tipo II.

A estimativa da Organização Mundial da Saúde (OMS) é que aproximadamente 6% a 13% das mulheres em idade fértil tenham SOP, sendo um diagnóstico ainda mais comum entre aquelas com sobrepeso ou obesidade. Já o Ministério da Saúde aponta que a doença pode afetar até 19% da população feminina em fase reprodutiva.

Sintomas mais comuns da SOP e possíveis complicações

As manifestações clínicas da SOP são diversas e nem todas as pacientes apresentam o mesmo conjunto de sinais e sintomas. Entre os mais comuns estão:

Além dos impactos estéticos e reprodutivos, a SOP aumenta o risco para problemas metabólicos e cardiovasculares, como:

Síndrome dos ovários policísticos e infertilidade

A infertilidade na SOP decorre principalmente da anovulação crônica. O excesso de hormônios andrógenos interfere no desenvolvimento dos folículos ovarianos e na liberação regular dos óvulos. Sem ovulação, não há possibilidade de fecundação espontânea. Além disso, alterações na qualidade dos óvulos e no equilíbrio hormonal podem dificultar a implantação do embrião no útero.

Mulheres com SOP também têm maior risco de complicações obstétricas, como:

Exames necessários para o diagnóstico da SOP

O diagnóstico dessa síndrome é baseado no Consenso de Roterdã (2003), que estabelece critérios para a confirmação diagnóstica da SOP. De acordo com essa avaliação, devem estar presentes pelo menos dois dos três achados abaixo:

Além da ultrassonografia transvaginal para avaliação dos ovários, veja os exames laboratoriais que podem ser solicitados:

Na avaliação diagnóstica da SOP, também é importante excluir outras causas de sintomas semelhantes, como hiperplasia adrenal congênita, tumores secretores de androgênios, síndrome de Cushing ou disfunções da tireoide.

Formas de tratamento

O tratamento da SOP é individualizado e deve considerar as implicações gerais na saúde e os objetivos da paciente, especialmente se há desejo de gestação. As opções incluem mudanças no estilo de vida, tratamento medicamentoso e, para as pacientes com infertilidade, técnicas de reprodução assistida.

A adoção de um estilo de vida mais saudável é amplamente recomendada. Alimentação balanceada e prática regular de exercícios físicos são condutas que contribuem para o controle do peso corporal e podem promover a melhora dos sintomas e da função ovulatória.

O tratamento clínico pode ser feito com os seguintes medicamentos:

As mulheres que desejam engravidar, mas enfrentam dificuldades, podem considerar as técnicas de reprodução assistida, que incluem:

O acompanhamento multidisciplinar — envolvendo ginecologista, esterileuta, endocrinologista, nutricionista e, quando necessário, psicólogo — pode trazer bons resultados para o controle da SOP a longo prazo. Os benefícios disso são: prevenção de complicações metabólicas e cardiovasculares, recuperação da autoestima e melhora da fertilidade.