Botão whatsapp contato Dr. Mauro Bibancos Dr. Mauro Bibancos | WhatsApp
Botão whatsapp contato Dr. Mauro Bibancos

Infecções sexualmente transmissíveis (ISTs)

As infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) ainda representam um grande desafio para a saúde pública mundial, devido à sua alta incidência, facilidade de contágio e, muitas vezes, falta de conhecimento sobre suas consequências.

Por muitos anos, foi utilizado o termo doença sexualmente transmissível (DST). A nomenclatura mudou, tendo em vista que muitas pessoas contraem a infecção, mas não apresentam uma doença sintomática. Ao não manifestarem sintomas, os indivíduos desconhecem que estão portando agentes patogênicos e podem facilmente transmiti-los para os outros por meio de relações sexuais sem preservativos.

Embora a maioria das pessoas tenha fácil acesso a informações diversas e esse tema seja amplamente difundido, ainda há muito trabalho a ser feito para aprofundar a conscientização da população sobre a importância da prevenção das ISTs e os impactos dessas infecções na saúde.

De acordo com dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a incidência de ISTs é altíssima: aproximadamente 1 milhão de novos casos surgem por dia no mundo todo. Se o diagnóstico for precoce, as infecções geralmente são tratáveis, mas o adiamento do tratamento pode deixar sequelas na saúde, principalmente infertilidade.

ISTs mais associadas à infertilidade

Segundo a OMS, há mais de 30 tipos de microrganismos infecciosos que podem ser transmitidos por contato sexual. As oito infecções que apresentam as maiores incidências são por:

Dentre as ISTs listadas, a clamídia e a gonorreia são as mais frequentemente associadas à infertilidade em mulheres e homens. Entretanto, todas podem ter algum impacto nas funções reprodutivas.

A clamídia é uma das ISTs mais prevalentes no mundo todo. Sem o tratamento adequado, pode levar à doença inflamatória pélvica (DIP) nas mulheres e a inflamações no trato genital masculino. A gonorreia também é uma infecção bacteriana que pode deixar sequelas se não for precocemente identificada e tratada.

Ambas podem ser assintomáticas, o que retarda a busca por avaliação médica e aumenta o risco de complicações. Nos homens, a gonorreia pode causar sintomas mais intensos.

Quando presentes os principais sintomas de ISTs são:

Impactos das ISTs na fertilidade feminina

As ISTs podem levar a processos inflamatórios nos órgãos reprodutores da mulher, afetando o útero, as tubas uterinas e, algumas vezes, os ovários. Os quadros mais associados a essas infecções são a endometrite crônica e a DIP.

Endometrite crônica

A endometrite crônica pode se desenvolver de forma isolada ou decorrer da DIP. Trata-se de uma inflamação persistente no endométrio, tecido que reveste o útero internamente. Ela tende a alterar o ambiente uterino e comprometer a receptividade endometrial, aumentando o risco de falhas de implantação embrionária e abortamento.

DIP

A DIP é uma doença mais abrangente, caracterizada pela disseminação da infecção pelo trato reprodutivo feminino. Ela pode causar cervicite, endometrite, salpingite e ooforite — que são, respectivamente, processos inflamatórios no colo do útero, no endométrio, nas tubas uterinas e nos ovários.

Uma das consequências da DIP mais associadas à infertilidade feminina é a obstrução tubária. A salpingite pode resultar em acúmulo de líquido dentro das tubas, condição chamada de hidrossalpinge. Isso interfere na movimentação dos gametas, no processo de fecundação e no transporte do embrião para o útero.

Além disso, o processo de inflamação tubária pode provocar a formação de aderências (tecido cicatricial) que distorcem as tubas, prejudicando o movimento que possibilita a captação do óvulo no momento da ovulação.

A obstrução tubária aumenta, ainda, o risco de gravidez ectópica, pois, caso a fecundação aconteça e o embrião não seja devidamente transportado para o útero, ele se implanta na própria tuba, onde não tem espaço e recepção de nutrientes para se desenvolver.  

Impactos das ISTs na fertilidade masculina

A fertilidade do homem também pode ser afetada de várias formas pelas ISTs. Os processos inflamatórios nos órgãos reprodutores podem prejudicar a produção, a qualidade ou o transporte dos espermatozoides.

Uretrite

A uretrite é a inflamação da uretra, canal que permite a saída do sêmen e da urina. Quando não tratada adequadamente, essa doença pode progredir para outras infecções no trato genital, afetando órgãos como o epidídimo e a próstata.

Orquite

A orquite é a inflamação dos testículos, órgãos responsáveis pela produção de testosterona e dos espermatozoides. Ela pode ser causada por infecções virais, sobretudo o vírus da caxumba, ou por bactérias transmitidas sexualmente. 

A inflamação testicular pode levar a danos na espermatogênese (produção de espermatozoides), resultando em oligozoospermia (baixa contagem de espermatozoides) ou azoospermia (ausência de espermatozoides no sêmen).

Epididimite

A epididimite é a inflamação do epidídimo, ducto localizado atrás do testículo. É nesse órgão que ocorre o armazenamento e a maturação dos espermatozoides. O processo inflamatório pode levar à obstrução do ducto epididimário, impedindo o transporte dos espermatozoides. Também há impactos na qualidade espermática, como a redução de gametas com boa motilidade.

Prostatite

A prostatite é a inflamação da próstata, glândula que secreta substâncias para a formação do sêmen. Essa doença pode ser aguda ou crônica, e nem sempre é provocada por ISTs. A inflamação prostática pode alterar a composição seminal, além de causar problemas sexuais e ejaculatórios, como disfunção erétil e dor durante a ejaculação.

Diagnóstico e tratamento das ISTs

O diagnóstico e o tratamento precoces das ISTs podem evitar as sequelas relacionadas à infertilidade. Os métodos de investigação incluem:

O tratamento envolve o uso de antibióticos específicos, conforme o agente causador, mas pode ser iniciado com antibioticoterapia de amplo espectro para interromper a ação infecciosa quanto antes. É essencial que ambos os parceiros sejam tratados simultaneamente para evitar reinfecções.

Reprodução assistida

Quando as ISTs causam sequelas nos órgãos reprodutores, como obstruções, as técnicas de reprodução assistida, destacando-se a fertilização in vitro (FIV), são recomendadas para auxiliar os casais que enfrentam dificuldades para engravidar.