A gravidez é um evento que ocorre naturalmente na vida de muitos casais, mas nem todos conseguem engravidar com facilidade, o que tende a gerar dúvidas e insegurança. Diante disso, pode surgir o seguinte questionamento: “como descobrir se sou infértil”?
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 1 em cada 6 pessoas no mundo é infértil (2023), o que representa aproximadamente 17,5% da população em idade reprodutiva.
Muitas vezes, o casal demora a suspeitar de que tem dificuldade para engravidar, o que acaba atrasando o diagnóstico de um possível fator de infertilidade e o início do tratamento. No entanto, identificar quando há um problema de fertilidade nem sempre é simples. Sendo assim, diante de sucessivas tentativas sem sucesso, é importante procurar um médico especialista.
Entenda o que é infertilidade, como descobrir se você é infértil e qual é o momento de procurar ajuda médica!
O que é infertilidade?
A infertilidade é clinicamente definida como a dificuldade de confirmar uma gravidez durante 12 meses de tentativas, considerando a regularidade das relações sexuais e o não uso de quaisquer métodos contraceptivos, ou levá-la a termo — veja que abortamentos também se enquadram na infertilidade.
Para mulheres com 35 anos ou mais, o prazo de tentativas de concepção é reduzido para 6 meses, uma vez que a fertilidade feminina diminui naturalmente com o avanço da idade, devido à queda no número e na qualidade dos óvulos.
Entenda: infertilidade não significa esterilidade, ou seja, mesmo quando há algum fator dificultando a gravidez, na maioria das vezes ainda é possível alcançá-la com o tratamento adequado. Portanto, a infertilidade pode ser tratada, dependendo do fator que a causa.

Quando suspeitar que sou infértil?
O fato de não conseguir confirmar uma gravidez no prazo de um ano de tentativas ou levá-la a termo já é um importante indício de que o casal seja infértil. Precisamos saber, no entanto, quais são os fatores que levaram a essa condição, que podem ser femininos, masculinos ou ambos.
Nem sempre as condições subjacentes à infertilidade dão sinais e sintomas evidentes. Entretanto, alguns fatores do histórico clínico devem acender o alerta e motivar a busca por uma avaliação especializada. Dentre elas, podemos destacar:
- histórico de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), que podem provocar obstrução das tubas uterinas, inflamação crônica no útero ou alterações nos órgãos reprodutores masculinos;
- cirurgias prévias no trato genital, como laqueadura, vasectomia, retirada de cistos e tumores, além de procedimentos intrauterinos, como curetagem;
- idade materna avançada (acima dos 35 anos);
- histórico familiar de menopausa precoce;
- diagnóstico de determinadas síndromes genéticas;
- histórico de tratamentos oncológicos;
- diagnóstico de disfunções endócrinas, como o hipotireoidismo.
Veja a seguir sintomas específicos da mulher e do homem que podem estar associados a doenças que afetam a fertilidade:
Sinais e sintomas femininos
A mulher pode ser infértil devido a disfunções ovulatórias, idade (envelhecimento ovariano), alterações uterinas, obstrução tubária, doenças inflamatórias no trato reprodutivo, entre outras várias causas. Veja os sintomas mais comuns de infertilidade feminina:
- irregularidades menstruais, que podem indicar anovulação (ausência de ovulação);
- sintomas sugestivos de endometriose, como cólicas menstruais intensas, dor pélvica e dor durante as relações sexuais;
- sangramento uterino anormal, que pode estar associado a miomas, pólipos e adenomiose;
- alterações na pele e nos cabelos, como acne, seborreia e hirsutismo (crescimento de pelo em locais tipicamente masculinos), que podem ter relação com endocrinopatias, sobretudo a síndrome dos ovários policísticos (SOP);
- dor no baixo ventre, sangramento intermenstrual e secreção vaginal anormal, que são manifestações de infecções genitais.
Sinais e sintomas masculinos
O homem também pode ser infértil por diversas causas, como: varicocele; azoospermia; infecções genitais; disfunções hormonais; defeitos congênitos no trato reprodutivo; alterações genéticas; exposição frequente à radiação, altas temperaturas e poluentes; entre outras.
Veja alguns dos sinais e sintomas masculinos que devem ser avaliados:
- dor e inchaço testicular;
- presença de veias dilatadas nos testículos;
- secreção peniana;
- dor na relação sexual e/ou na ejaculação;
- presença de sangue na urina ou no sêmen;
- redução da libido e dificuldades relacionadas à ereção e à ejaculação;
- ausência de sêmen (aspermia).
Além do que foi listado, diversos hábitos de vida e condições podem afetar a fertilidade de homens e mulheres: nutrição inadequada, extremos de peso corporal (obesidade ou magreza excessiva), prática exacerbada de exercícios físicos, estresse, exposição a condições ambientais e ocupacionais nocivas às funções reprodutivas e uso de substâncias químicas prejudiciais.
Como a investigação da infertilidade é realizada?
O primeiro passo para descobrir se você é infértil e investigar as causas da infertilidade é procurar um médico esterileuta — também chamado de fertileuta ou especialista em infertilidade e reprodução humana assistida.
A consulta inicial inclui uma entrevista detalhada para averiguar o histórico clínico do casal, o tempo de tentativas, hábitos de vida, uso de medicamentos, antecedentes de doenças ou cirurgias e outros aspectos relevantes.
Depois disso, são solicitados exames específicos para avaliar a fertilidade de ambos. Os principais para a mulher são ultrassonografia transvaginal, dosagens hormonais e histerossalpingografia.
Para o homem, os exames mais solicitados são os de função hormonal e o espermograma. Se este último apontar anormalidades seminais, outros exames podem ser indicados, por exemplo o ultrassom da bolsa escrotal.
Outras importantes indicações na avaliação da fertilidade do casal são os exames para a pesquisa de trombofilias e o cariótipo com banda G.
Em alguns casos, mesmo após a realização de vários exames, nenhum fator é identificado. Assim, considera-se que o casal tem infertilidade sem causa aparente (ISCA). Apesar da insegurança do casal que se encontra nessa situação, também é possível melhorar as chances de gravidez com as técnicas específicas.
Se eu descobrir que sou infértil, quais são os próximos passos?
Depois de identificada a causa da infertilidade, avalia-se qual será a melhor conduta. As possibilidades vão desde os tratamentos específicos das doenças subjacentes, com medicações ou cirurgias, até técnicas de reprodução assistida, que incluem coito programado, inseminação intrauterina e fertilização in vitro (FIV).
A FIV é uma das soluções mais eficazes quando se trata de infertilidade por fatores complexos, como alterações masculinas severas – por exemplo, azoospermia –, obstrução tubária, endometriose em estágio grave, idade materna avançada ou quando há necessidade de preservar a fertilidade (congelamento de gametas).
Para descobrir se você é infértil, o primeiro passo é observar o tempo de tentativas de gravidez e os sinais e sintomas de doenças associadas (femininos e masculinos). Em seguida, com o apoio de uma equipe médica especializada e contando com os avanços da medicina reprodutiva, é possível superar a infertilidade e conseguir realizar o sonho da maternidade e da paternidade.
Dr. Mauro Bibancos | WhatsApp