A fertilidade feminina depende de muitos fatores, dentre eles: a saúde dos ovários e a quantidade de óvulos disponíveis para fecundação. Com o passar dos anos, essa capacidade reprodutiva passa por mudanças naturais e irreversíveis. Por isso, é importante que as mulheres que desejam engravidar — agora ou no futuro — realizem a avaliação da reserva ovariana.
Com base nos exames disponíveis para avaliar os ovários, é possível estimar a quantidade de óvulos remanescentes e orientar decisões clínicas, como o melhor momento para engravidar, a necessidade de preservação da fertilidade ou qual protocolo seguir em tratamentos de reprodução assistida.
A ultrassonografia pélvica transvaginal tem grande relevância na avaliação da reserva ovariana — e da fertilidade feminina, de modo geral, pois permite visualizar os ovários e os demais órgãos do sistema reprodutor feminino.
Avaliação da reserva ovariana: indicações e métodos
A reserva ovariana representa o número de folículos (estruturas que abrigam os óvulos) que uma mulher ainda possui em seus ovários em um determinado momento da vida. Diferentemente dos homens, que produzem espermatozoides continuamente, as mulheres já nascem com uma quantidade finita de óvulos, e esse número vai diminuindo naturalmente com o tempo.
Ao chegar na puberdade, a menina tem aproximadamente 300 a 400 mil folículos nos ovários. A cada ciclo menstrual, vários deles são recrutados e começam a se desenvolver para ovular, mas geralmente apenas um completa esse processo. Por isso, a perda folicular é constante, mesmo fora dos ciclos ovulatórios.
Com o avanço da idade, além da diminuição da quantidade de folículos, há uma queda progressiva na qualidade dos óvulos, principalmente após os 35 anos, o que reduz as chances de gestação natural.
Quando a avaliação da reserva ovariana é indicada?
A avaliação da reserva ovariana pode ser realizada nas seguintes situações:
- investigação de infertilidade — quando um casal tenta engravidar há, pelo menos, 12 meses sem sucesso (ou 6 meses, no caso de mulheres com mais de 35 anos);
- antes de realizar o congelamento de óvulos para preservar a fertilidade, o que pode ser feito por decisão pessoal ou condições médicas;
- para nortear a definição do protocolo de estimulação ovariana em tratamentos de fertilização in vitro (FIV);
- planejamento reprodutivo — mulheres que não pretendem engravidar no curto prazo, mas desejam entender como está sua fertilidade, podem pedir ao ginecologista orientações e encaminhamento para realizar a avaliação da reserva ovariana;
- doação de gametas — mulheres que decidem doar parte de seus óvulos para a formação de outra família também passam primeiramente por essa avaliação.
Quais são os principais métodos de avaliação da reserva ovariana?

Dois exames principais são usados para avaliar a reserva ovariana: a ultrassonografia pélvica para contagem dos folículos antrais e a dosagem do hormônio antimülleriano (AMH).
A contagem dos folículos antrais identifica o número dos folículos que iniciaram seu desenvolvimento em ambos os ovários, geralmente feita entre o 2º e o 5º dia do ciclo menstrual. Quanto maior a quantidade de folículos antrais, melhor é o estado da reserva ovariana.
A dosagem do hormônio antimülleriano também é um biomarcador confiável na avaliação da reserva ovariana. Esse hormônio é produzido pelas células dos folículos em desenvolvimento e pode ser dosado em qualquer dia do ciclo menstrual.
Os dois exames são complementares: enquanto a contagem dos folículos antrais por ultrassonografia pélvica oferece uma visão imediata por imagem, a dosagem do AMH fornece dados laboratoriais confiáveis. A interpretação deve ser feita por um médico especialista, que também deverá considerar o histórico da paciente, idade e outros fatores.
Ultrassonografia pélvica: importância na avaliação da fertilidade feminina
A ultrassonografia pélvica é um dos exames mais solicitados para avaliar a saúde ginecológica e a fertilidade feminina. É um método acessível, seguro e com boa acurácia, que utiliza a emissão de ondas sonoras de alta frequência (ultrassônicas) para formar imagens dos órgãos.
Na reprodução assistida, esse exame é essencial não apenas na investigação da infertilidade, mas também para acompanhar várias etapas da FIV, como o controle da ovulação na estimulação ovariana, a coleta de óvulos e a transferência dos embriões para o útero.
O que a ultrassonografia pélvica pode identificar?
Além da contagem dos folículos antrais para avaliação da reserva ovariana, a ultrassonografia pélvica permite diagnosticar:
- miomas uterinos;
- pólipos endometriais;
- alterações na espessura e no aspecto do endométrio;
- cistos ovarianos e síndrome dos ovários policísticos (SOP);
- endometriose;
- aderências intrauterinas (sinequias);
- malformações uterinas;
- alterações nas tubas uterinas, como distorção ou dilatação.
Trata-se de um exame fundamental para entender as condições reprodutivas da paciente e definir as estratégias adequadas de tratamento. Além disso, a partir dos resultados da ultrassonografia pélvica, outras técnicas específicas de avaliação e intervenção podem ser solicitadas, como a histeroscopia.
Como a ultrassonografia pélvica é realizada?
Existem dois tipos de ultrassonografia pélvica: a transvaginal, que é o método mais utilizado na avaliação da fertilidade; e a suprapúbica, que pode ser indicada em situações específicas ou solicitada de forma complementar ao exame endovaginal.
Na ultrassonografia transvaginal, um transdutor fino, revestido com preservativo e recoberto com gel, é introduzido na vagina para captar imagens detalhadas dos ovários, útero, tubas uterinas e outras estruturas pélvicas. É um exame bem tolerado pelas pacientes, de simples execução e fornece imagens com boa nitidez.
No ultrassom suprapúbico ou transabdominal, outro tipo de transdutor é utilizado, ele é deslizado sobre o abdome, estando a mulher com a bexiga cheia. A escolha entre os dois métodos depende da condição a ser investigada, mas, como já mencionado, eles podem ser complementares em algumas situações.
A ultrassonografia pélvica também é necessária em diferentes etapas dos tratamentos de reprodução assistida. Durante a FIV, ela é utilizada para:
- monitorar o crescimento dos folículos durante a estimulação ovariana;
- guiar a punção folicular no momento da coleta dos óvulos;
- avaliar a espessura endometrial antes da transferência embrionária;
- guiar a transferência dos embriões para o útero.
Diante dessas informações, vemos que a avaliação da reserva ovariana e a ultrassonografia pélvica são ferramentas indispensáveis para entender a fertilidade da mulher e guiar as decisões mais adequadas de planejamento reprodutivo e tratamento.
Dr. Mauro Bibancos | WhatsApp


