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Doação de óvulos: como é feita?

Publicado em 21/09/2026

Dr Mauro Bibancos

A doação de óvulos é uma alternativa para mulheres que não conseguem engravidar com seus próprios gametas, assim como para casais homoafetivos masculinos.

Os óvulos são células necessárias no processo de reprodução humana. Eles carregam metade do material genético que formará o embrião. Com o passar do tempo, ou devido a determinadas condições clínicas, a quantidade e a qualidade dos óvulos podem diminuir, representando uma causa importante de infertilidade.

Nessas situações, a doação de óvulos ou ovodoação surge como uma importante alternativa dentro da reprodução assistida. Assim, mulheres que não têm mais óvulos viáveis ainda podem engravidar e vivenciar uma gestação. A técnica também é relevante para casais homoafetivos masculinos ou homens solteiros que desejam ter filhos biológicos.

Acompanhe este artigo e descubra como a ovodoação é realizada!

O que é doação de óvulos?

A doação de óvulos é uma técnica de reprodução assistida em que os óvulos de uma mulher são coletados e fertilizados em laboratório, mas o embrião formado é transferido para o útero de outra mulher que deseja ser mãe, e não pode engravidar com óvulos próprios.

A ovodoação pode ocorrer de duas formas:

Doação compartilhada

Na doação compartilhada, duas mulheres ou dois casais que realizam um tratamento de fertilização in vitro (FIV) compartilham os óvulos e os custos dos procedimentos. Ou seja:

  • a doadora tem boa reserva ovariana, mas fará a FIV por outro fator (obstrução tubária, infertilidade masculina etc.). Assim, doar parte de seus óvulos é uma alternativa para reduzir os custos com o tratamento;
  • o outro casal precisa dos óvulos doados e assume as despesas envolvidas nos procedimentos para a coleta desses óvulos.

Os óvulos coletados são divididos entre ambos (doadora e casal receptor), conforme critérios médicos. Essa modalidade é regulamentada pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) e realizada com livre esclarecimento e consentimento de todas as partes envolvidas.

No Brasil, a doação de óvulos deve ser feita sem fins comerciais. Mesmo no caso da ovodoação compartilhada, não existe uma ação com finalidade lucrativa. O que ocorre é uma troca que se limita ao contexto médico, de forma a beneficiar o tratamento tanto de quem doa quanto de quem recebe os óvulos.

Doação voluntária

Nesse caso, os óvulos são doados por mulheres anônimas previamente cadastradas em um banco de óvulos. Os gametas ficam identificados e criopreservados até que sejam escolhidos para o tratamento de algum casal.

Quando uma receptora inicia o tratamento:

  • os óvulos do banco são selecionados conforme características fenotípicas compatíveis;
  • são descongelados no momento adequado;
  • seguem para fertilização em laboratório.

A ovodoação voluntária também pode ser feita por algum familiar do casal. Por muito tempo, o anonimato foi uma regra na doação de gametas, mas, em sua resolução atual, o CFM permite que óvulos e sêmen sejam recebidos de parentes de até 4º grau, desde não incorra em consanguinidade.

Como é o processo de ovorrecepção?

O processo é cuidadosamente planejado e conduzido por equipe médica capacitada. De um lado, a doadora de óvulos passa pelas etapas iniciais da FIV, que incluem a estimulação ovariana e a coleta de óvulos. Do outro lado, a mulher que vai receber os óvulos doados se prepara para a transferência do embrião e a gestação.

Inicialmente, a receptora passa por avaliação clínica e exames para verificar se o útero está apto para receber o embrião. O preparo endometrial é feito com hormônios para simular o ciclo natural e tornar o endométrio (camada intrauterina) receptivo.

Na ovorrecepção de doação voluntária:

  • os óvulos doados são fertilizados com espermatozoides do casal receptor;
  • os embriões são cultivados em laboratório;
  • o embrião de melhor qualidade é transferido para o útero da receptora, que também pode ser uma cedente temporária de útero (barriga solidária), no caso de casais homoafetivos masculinos.

Se for um tratamento com ovodoação compartilhada:

  • a doadora passa por estimulação ovariana e coleta de óvulos;
  • os óvulos são divididos entre a doadora e o casal receptor;
  • os óvulos são fertilizados separadamente com os respectivos espermatozoides de cada casal.

Quais são as indicações para FIV com doação de óvulos?

O tratamento com ovorrecepção pode ser indicado para mulheres em situação de:

  • falência ovariana prematura devido a condições genéticas, tratamentos oncológicos e cirúrgicos ou outras causas;
  • baixa reserva ovariana ou baixa qualidade dos óvulos;
  • idade materna avançada;
  • falhas repetidas em ciclos de FIV;
  • doenças genéticas maternas.

Entre os casais homoafetivos masculinos, essa também é uma alternativa de alta relevância para os que desejam ter filhos biológicos. Nesse caso, o tratamento envolve ainda a participação de uma cedente temporária de útero, que não pode ser a doadora de óvulos.

A doação de óvulos é uma técnica consolidada da reprodução assistida, com altas taxas de sucesso e ampla aplicação clínica. Ela oferece possibilidades reais e éticas para quem não pode engravidar com óvulos próprios.

Veja também informações sobre doação de sêmen e de embriões no texto: doação de gametas!

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