Com as mudanças no estilo de vida e nas prioridades da mulher moderna, muito tem se falado atualmente sobre congelamento de óvulos. A técnica deixou de ser algo restrito a situações médicas e passou a ser uma alternativa real para quem deseja fazer a preservação da fertilidade por escolha pessoal e manter a possibilidade de ter filhos no futuro.
Com as técnicas avançadas de criopreservação, como a vitrificação (congelamento ultrarrápido, que não causa danos às células), é possível congelar diversos tipos de materiais biológicos com segurança e sem perda de qualidade celular, como óvulos, sêmen e embriões.
Quer entender o que é exatamente o congelamento de óvulos e quem pode fazer? Confira as respostas para suas dúvidas neste post!
O que é congelamento de óvulos?
Congelamento de óvulos é uma técnica da medicina reprodutiva que permite coletar os óvulos dos ovários, congelá-los em laboratório e armazená-los para uso futuro. Eles podem ficar criopreservados por vários anos, até que a mulher decida engravidar.
Esse procedimento faz parte das tecnologias associadas à fertilização in vitro (FIV). Os óvulos congelados somente poderão ser utilizados após passarem pelas etapas seguintes da FIV: fertilização em laboratório, cultivo embrionário e transferência para o útero.
O objetivo do congelamento de óvulos é preservar o material genético da mulher em idade jovem, enquanto ela ainda apresenta boa qualidade e quantidade de óvulos, algo que tende a diminuir naturalmente com o avanço da idade.
Por que essa técnica ganhou tanto destaque nos últimos anos?
O congelamento de óvulos vem ganhando visibilidade por diversos motivos. Entenda:
- adiamento da maternidade: muitas mulheres estão optando por engravidar mais tarde, seja por motivos pessoais, profissionais ou por ainda não terem encontrado o parceiro ideal que queira formar uma família;
- eficácia técnica: os avanços laboratoriais tornaram a técnica mais segura e com altas taxas de sucesso. Hoje, óvulos congelados com boa qualidade podem ter desempenho semelhante ao de óvulos frescos, gerando embriões com potencial para um bom desenvolvimento e uma gestação saudável;
- mais autonomia feminina em relação ao tempo para engravidar: o congelamento de óvulos permite que a mulher tenha mais controle sobre seu planejamento reprodutivo, com menos pressões relacionadas ao tempo biológico;
- condições médicas: mulheres que precisam passar por terapias contra o câncer ou outros tratamentos que podem comprometer a fertilidade também têm hoje essa possibilidade.
Quem pode fazer o congelamento de óvulos?

Essa é uma dúvida comum, e a resposta é que qualquer mulher pode realizar o congelamento, desde que esteja em idade fértil e com saúde reprodutiva avaliada por um especialista. No entanto, há situações em que a técnica pode ser mais indicada, como:
Opção pelo adiamento da gravidez
Motivos pessoais, profissionais, acadêmicos, financeiros ou associados à falta de estabilidade de um relacionamento podem levar uma mulher a adiar a maternidade. O congelamento de óvulos é uma forma de preservar a fertilidade com segurança para quando for um momento mais oportuno para engravidar.
Não existe uma idade exata para congelar os óvulos. Contudo, entre os 30 e 37 anos, a mulher tem mais tendência a começar a planejar a maternidade e, geralmente, ainda tem uma boa reserva ovariana e gametas com boa qualidade. O ideal é não esperar sinais de infertilidade para considerar o congelamento.
Mulheres mais jovens que isso dificilmente vão se preocupar com a fertilidade futura, mas, se houver interesse, também é válido se informar melhor com seu médico. Da mesma forma, as que já passaram dos 37 anos podem consultar um especialista para avaliar a reserva ovariana e saber se ainda é possível realizar o congelamento de óvulos.
Fatores de risco para falência ovariana prematura
A falência ovariana prematura se refere à interrupção das funções dos ovários antes dos 40 anos, de forma que a mulher entra no estado de menopausa antes da idade normal, às vezes ainda sem ter filhos.
Os fatores de risco para isso incluem: histórico familiar de menopausa precoce, algumas doenças autoimunes, determinados tratamentos médicos e alterações genéticas, como a síndrome de Turner e a pré-mutação do X frágil.
Indicação médica
Quimioterapia e radioterapia são exemplos de tratamentos que podem prejudicar as funções reprodutivas de forma temporária ou permanente. O médico oncologista deve orientar a paciente sobre a possibilidade de fazer o congelamento de óvulos. Nesse contexto, a técnica é chamada de preservação oncológica ou terapêutica da fertilidade.
Cirurgias nos ovários, como para retirada de endometrioma (cisto causado por endometriose) também oferecem risco à reserva ovariana. Portanto, o congelamento de óvulos pode ser considerado antes dessa intervenção médica.
E depois de congelar os óvulos, o que acontece?
Os óvulos congelados ficam armazenados em tanques de nitrogênio líquido pelo tempo que a mulher precisar. Eles podem permanecer congelados por muitos anos. Não há um prazo máximo estabelecido, mas é importante ter em mente que, mesmo com óvulos saudáveis, a gravidez tardia pode ter mais riscos.
Transferir os óvulos que foram congelados de volta para os ovários para tentar passar pela ovulação e a fertilização natural não é uma possibilidade. Por isso, prosseguir com a FIV é o único caminho para quem deseja utilizar os gametas congelados para tentar engravidar.
As primeiras etapas da FIV, estimulação ovariana e coleta dos óvulos, são feitas, portanto, antes do congelamento. Depois, para prosseguir com o tratamento, realiza-se: a fertilização em laboratório, o cultivo dos embriões em incubadora e a transferência para o útero.
Com o apoio de um especialista em reprodução assistida, é possível avaliar o melhor momento para realizar o congelamento de óvulos e definir um plano seguro para tentar a gravidez no futuro, em um momento mais oportuno.
Para mais informações, leia também nosso texto institucional sobre congelamento de óvulos!
Dr. Mauro Bibancos | WhatsApp


