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Ressonância magnética

Publicado em 15/08/2025

Dr. Mauro Bibancos

A ressonância magnética é uma das técnicas de imagem mais avançadas disponíveis na medicina diagnóstica. Sem utilizar radiação ionizante, o exame permite obter imagens detalhadas do interior do corpo por meio de ondas de rádio emitidas pelos campos magnéticos do equipamento, sendo especialmente útil para visualizar as estruturas do aparelho reprodutor com alta definição.

Várias especialidades médicas utilizam a ressonância nuclear magnética para obter diagnósticos confiáveis. Na medicina reprodutiva, essa técnica de imagem pode ser uma aliada importante na investigação da infertilidade feminina e masculina, principalmente em situações que exigem uma avaliação mais minuciosa da anatomia dos órgãos reprodutores.

Este texto apresenta as indicações da ressonância magnética no contexto da investigação da infertilidade, bem como os procedimentos envolvidos e outras informações relevantes.

Quando a ressonância magnética é indicada na avaliação da fertilidade?

A ressonância magnética não costuma ser o primeiro exame indicado para investigação da infertilidade. Geralmente, técnicas mais simples e acessíveis, como a ultrassonografia pélvica e a histerossalpingografia, são as primeiras a serem utilizadas. No entanto, quando há necessidade de uma análise mais detalhada ou quando os exames iniciais são inconclusivos, a ressonância se torna uma ferramenta de grande utilidade clínica.

As indicações mais comuns, no caso das mulheres, são para averiguar:

  • endometriose — o exame permite identificar lesões superficiais e profundas, inclusive quando há acometimento intestinal, vesical ou de ligamentos pélvicos;
  • miomas uterinos, que precisam ser diferenciados de outras massas;
  • adenomiose, uma doença de difícil diagnóstico, de forma que a ultrassonografia pode ser inconclusiva;
  • pólipos endometriais;
  • malformações uterinas;
  • aderências intrauterinas (síndrome de Asherman);
  • cistos ovarianos;
  • tumores pélvicos;
  • hidrossalpinge (acúmulo de fluídos nas tubas uterinas);
  • investigação de sangramento uterino anormal ou dor pélvica crônica.

As indicações para os homens são feitas com as finalidades de:

  • avaliar testículos não palpáveis (criptorquidia);
  • investigar nódulos testiculares ou massas escrotais;
  • verificar alterações na próstata, especialmente em casos de ejaculação retrógrada; 
  • identificar se há obstrução de ductos;
  • avaliar dor pélvica persistente ou alterações urinárias.

Além disso, em casos de infertilidade sem causa aparente (ISCA) — quando os exames iniciais do casal não revelam nenhuma alteração — a ressonância magnética pode ser indicada para investigar fatores ocultos.

Como funciona a ressonância magnética?

A tecnologia utilizada na ressonância magnética baseia-se na geração de imagens tridimensionais a partir da interação entre campos magnéticos, ondas de rádio e os átomos de hidrogênio presentes no corpo humano. Essas interações são captadas por receptores e convertidas em imagens digitais de alta resolução.

Para realizar o exame, o(a) paciente permanece deitado em uma mesa que se move para o interior de um grande tubo horizontal. Dentro desse tubo, existem ímãs que formam um campo de pulsos eletromagnéticos. 

As bobinas colocadas no corpo da pessoa antes de adentrar no tubo auxiliam na emissão e recepção das ondas de rádio. Então, os sinais captados possibilitam a geração de imagens das partes internas do corpo — em alguns casos, pode ser necessário o uso de contraste intravenoso para destacar certas estruturas ou lesões.

Embora seja um exame indolor e seguro, a ressonância pode causar desconforto em pessoas com claustrofobia. Além disso, a presença de objetos metálicos no corpo deve ser comunicada com antecedência à equipe médica.

A ressonância magnética da pelve é a mais realizada para investigação das causas de infertilidade. No entanto, o exame também pode ser feito para examinar a sela túrcica, uma cavidade óssea craniana na qual estão localizadas as glândulas hipotálamo e hipófise, que são responsáveis pela secreção de hormônios essenciais para a ovulação e a espermatogênese.

Tumores ou disfunções hipotalâmicas e hipofisárias podem afetar a produção hormonal e prejudicar a fertilidade, mesmo quando os órgãos reprodutores apresentam normalidade nos exames de imagem.

Como a ressonância magnética contribui para o planejamento da reprodução assistida?

Ao fornecer imagens detalhadas dos órgãos reprodutores e demais estruturas pélvicas, a ressonância magnética pode nortear as decisões médicas, no sentido de:

  • delimitar melhor as alterações anatômicas que precisam ser tratadas antes do início do tratamento de reprodução assistida;
  • diferenciar com precisão as lesões associadas a miomas, pólipos, endometriose, adenomiose, cistos ou malformações;
  • avaliar a extensão do acometimento das estruturas pélvicas em casos de endometriose profunda;
  • planejar abordagens cirúrgicas minimamente invasivas, como histeroscopia ou videolaparoscopia.

Dessa forma, a ressonância magnética ajuda na conclusão diagnóstica das causas de infertilidade e direciona o planejamento terapêutico, contribuindo para o sucesso dos tratamentos de reprodução humana.

Como se preparar para o exame de ressonância magnética?

O exame de ressonância magnética dura em média de 20 a 45 minutos, dependendo da região a ser analisada. O(a) paciente deve permanecer imóvel durante o procedimento para que as imagens obtidas fiquem nítidas. 

Veja algumas orientações importantes para a realização segura do exame:

  • evitar objetos metálicos no corpo e nas roupas durante o procedimento;
  • informar previamente sobre implantes, próteses, marcapassos ou outras estruturas metálicas que tenha no corpo;
  • comunicar alergias, especialmente se houver indicação para uso de contraste;
  • informar sobre claustrofobia — uma medicação leve pode ser prescrita para garantir maior conforto ao paciente que não se sente bem em locais fechados.

Após o exame, as atividades habituais podem ser retomadas imediatamente. Não há necessidade de repouso.

A ressonância magnética é um recurso complementar de grande valor na investigação da infertilidade. Embora não seja o exame de primeira linha, sua utilização estratégica permite identificar doenças e alterações que outros métodos nem sempre detectam com precisão, contribuindo para um diagnóstico mais completo e um tratamento efetivo.



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