A fragmentação do DNA espermático é uma alteração que pode comprometer a fertilidade masculina e impactar as chances de gravidez do casal.
Os espermatozoides carregam o material genético masculino, que será transmitido ao embrião no momento da fecundação do óvulo. Para que esse processo ocorra de forma adequada, é preciso que os espermatozoides estejam presentes em quantidade suficiente e tenham boa mobilidade e morfologia, assim como é importante que o DNA espermático esteja íntegro.
A fragmentação do DNA espermático é uma alteração que vem recebendo mais atenção na avaliação da infertilidade masculina. É relevante investigar esse fator em determinadas situações, mesmo que o espermograma apresente resultados normais.
Entenda, ao longo deste post, por que altos índices de DNA espermático danificado podem causar infertilidade!
O que é fragmentação do DNA espermático?
A fragmentação do DNA espermático está relacionada a quebras nas cadeias de DNA presentes no núcleo dos espermatozoides. Esse material genético, que precisa estar bem compactado e protegido, pode sofrer lesões durante a produção ou o amadurecimento dos gametas.
Níveis moderados de espermatozoides com DNA danificado são normais. No entanto, diversos fatores podem aumentar o estresse oxidativo dentro das células e contribuir para o aumento da fragmentação do DNA espermático, levando à infertilidade, incluindo:
- infecções do trato genital;
- varicocele;
- idade avançada do homem;
- tabagismo, excesso de álcool e drogas;
- exposição a calor excessivo ou toxinas ambientais;
- doenças metabólicas e inflamatórias.
Por que essa alteração pode causar infertilidade?
A fragmentação do DNA espermático em taxas elevadas afeta a qualidade dos espermatozoides. Para formar bons embriões, é preciso que os gametas, tanto o masculino quanto o feminino, tenham boa qualidade.
Esse fator pode interferir em diferentes etapas do processo reprodutivo. Entenda:
- fecundação prejudicada: espermatozoides com DNA muito danificado podem ter dificuldade para fertilizar o óvulo;
- desenvolvimento embrionário comprometido: mesmo quando a fecundação ocorre, as alterações no DNA podem interferir nas divisões celulares iniciais, formando embriões que não se desenvolvem adequadamente;
- falhas de implantação: embriões formados a partir de espermatozoides com DNA fragmentado podem ter dificuldade para se implantar no útero;
- aumento do risco de abortamento: altos índices de fragmentação do DNA espermático estão entre as causas de perdas gestacionais precoces.
Como são os testes de fragmentação do DNA espermático?

Diversas alterações espermáticas são reveladas pelo espermograma, mas esse exame não consegue identificar a fragmentação do DNA. Para isso, é preciso realizar testes específicos, entre os quais estão:
- SCSA;
- TUNEL;
- SCD;
Os testes de fragmentação do DNA espermático, no entanto, não são indicados para todos os casais que buscam a investigação da infertilidade. A indicação pode ser feita em casos de:
- infertilidade sem causa aparente (ISCA);
- falhas repetidas em tratamentos de reprodução assistida;
- abortamentos de repetição;
- idade masculina avançada;
- diagnóstico de varicocele;
- exposição a fatores de risco conhecidos.
A interpretação dos resultados deve ser feita pelo médico especialista. Os valores de referência variam conforme o método utilizado. Além disso, é preciso considerar as demais características e exames do casal para chegar a um plano de tratamento abrangente e personalizado.
É possível ter filhos com fragmentação do DNA espermático?
Sim. A presença de fragmentação do DNA espermático não impede absolutamente que a gravidez aconteça, mas exige uma avaliação cuidadosa e estratégias individualizadas.
De acordo com o grau da fragmentação e as demais condições do casal, o médico pode orientar:
- mudanças no estilo de vida, por exemplo, cessar o tabagismo, reduzir o consumo de álcool, melhorar a alimentação etc. Essas condutas são benéficas para a saúde como um todo e ajudam a reduzir o estresse oxidativo, melhorando a qualidade das células;
- uso de antioxidantes específicos;
- tratamento de doenças subjacentes, como infecções genitais e varicocele;
- técnicas de reprodução assistida.
Os tratamentos de reprodução humana assistida são feitos com um conjunto de técnicas e procedimentos para superar diferentes fatores de infertilidade masculina e feminina. Na fertilização in vitro (FIV), especialmente, podem ser utilizadas estratégias como:
- injeção intracitoplasmática de espermatozoide (ICSI), que permite selecionar um único gameta de cada vez, observá-lo com um microscópio de alta potência e injetá-lo dentro do óvulo para a facilitar a fecundação;
- técnicas avançadas de preparo seminal e seleção espermática, como o ZyMot, um dispositivo de microfluidos que seleciona uma amostra de espermatozoides com boa motilidade e baixo índice de fragmentação do DNA espermático;
- em casos específicos, procedimentos de recuperação de espermatozoides, os quais podem ajudar a obter gametas com taxas mais baixas de DNA fragmentado.
A escolha das técnicas é baseada na avaliação individualizada e completa do casal, observando os fatores masculinos e femininos, a história clínica e reprodutiva, os resultados de exames e as expectativas do casal.
Neste artigo, você viu que: a fragmentação do DNA espermático é uma alteração importante e que deve ser considerada na investigação da infertilidade conjugal, pois pode estar presente mesmo quando os exames iniciais estão normais. Por isso, é importante contar com o olhar atento e experiente de um médico especialista em saúde reprodutiva de homens e mulheres.
Para saber mais, acesse: teste de fragmentação do DNA espermático!
Dr. Mauro Bibancos | WhatsApp