A endometriose pode causar dor intensa, dificuldade para engravidar e redução da qualidade de vida. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado fazem toda a diferença.
A endometriose é uma afecção ginecológica que pode desencadear cólicas menstruais intensas e outros sintomas. Trata-se de uma doença inflamatória crônica e dependente do hormônio estrogênio. Ela pode interferir na qualidade de vida da mulher, afetando sua rotina, vida profissional, sexualidade, saúde emocional e fertilidade.
Muitas pacientes convivem por anos com as dores da endometriose sem chegar ao diagnóstico. O atraso na confirmação é um dos grandes desafios dessa doença, pois os sintomas podem ser confundidos com queixas de outras alterações ginecológicas ou até serem considerados como dores “normais” do período menstrual.
Se você ainda tem dúvidas sobre o que é endometriose e como ela pode afetar a vida e a fertilidade da mulher, acompanhe este texto com atenção e veja as informações que preparamos!
O que é o endométrio?

Para entender a endometriose, é preciso compreender primeiramente o que é o endométrio. A parede do útero é formada por três tecidos diferentes: o perimétrio ou camada serosa é o mais externo; o miométrio é a camada medial, constituída por musculatura lisa; o endométrio é o mais interno, onde ocorre a implantação embrionária.
O tecido endometrial sofre modificações ao longo do ciclo menstrual, influenciado pelos hormônios estrogênio e progesterona, tornando-se mais espesso e receptivo para a implantação de um possível embrião.
Caso a gravidez não aconteça, o endométrio descama e é eliminado na menstruação. Então, um novo ciclo reprodutivo se inicia para que, novamente, o corpo da mulher passe pelos processos de ovulação e preparo uterino.
O que é endometriose?
A endometriose ocorre quando um tecido semelhante ao endométrio cresce fora da cavidade uterina, onde não deveria estar, o que desencadeia processos inflamatórios. Esse tecido endometrial ectópico (fora do local habitual) também responde ao estrogênio ciclicamente, e as lesões endometrióticas vão se agravando ao longo da vida da mulher, se não forem tratadas.
Os fragmentos de endométrio ectópico podem se implantar em:
- ovários;
- tubas uterinas;
- ligamentos uterinos;
- peritônio (membrana que reveste a cavidade abdominal);
- intestino;
- bexiga;
- em casos mais raros, pode atingir até locais distantes da pelve.
Com o tempo, a inflamação crônica nos locais das lesões endometrióticas pode levar à formação de:
- aderências;
- endometriomas (cistos ovarianos preenchidos por sangue envelhecido);
- fibrose e distorção da anatomia pélvica.
Existem três subtipos de endometriose, que podem, inclusive, coexistir na mesma portadora: as lesões peritoneais superficiais; o endometrioma ovariano; e a endometriose infiltrativa profunda.
Dor e infertilidade na endometriose
A dor é, geralmente, o principal sintoma da endometriose. A inflamação persistente e a presença das aderências podem gerar dor progressiva que chega a ser incapacitante, muitas vezes afetando também a saúde emocional da paciente.
A endometriose pode ter os seguintes sintomas:
- cólica menstrual intensa (dismenorreia);
- dor durante a relação sexual (dispareunia);
- dor pélvica crônica e acíclica (não somente presente durante o período menstrual);
- dor ao evacuar ou urinar, principalmente no período menstrual;
- dificuldade para engravidar (nem toda mulher com endometriose é infértil, mas entre aquelas que apresentam infertilidade, até 50% têm a doença).
A relação entre endometriose e infertilidade é bem estabelecida, e ocorre por diversos mecanismos, por exemplo:
- alteração da anatomia pélvica;
- distorção ou obstrução das tubas uterinas, que pode prejudicar a captação do óvulo pelas trompas ou impedir a movimentação e o encontro dos gametas;
- inflamação persistente no ambiente pélvico;
- redução da qualidade dos óvulos;
- danos à reserva ovariana, em caso de endometrioma.
Como são feitos o diagnóstico e o tratamento da endometriose?
O diagnóstico, muitas vezes, é tardio. Algumas mulheres convivem por vários anos com as dores e não buscam ajuda médica ou não são corretamente diagnosticadas. É importante contar com profissionais especializados e experientes para evitar atrasos na identificação e no tratamento da doença.
O percurso para o diagnóstico da endometriose inclui:
- anamnese (avaliação dos sintomas, investigação do padrão menstrual e da presença da doença em familiares, entre outras informações);
- exame físico ginecológico;
- exames de imagem, sendo os mais utilizados a ultrassonografia transvaginal e a ressonância magnética, ambos com preparo intestinal;
- a videolaparoscopia também pode ser indicada em alguns casos, tanto para confirmação diagnóstica quanto para tratamento cirúrgico.
Já o tratamento da endometriose é individualizado, baseado nos seguintes fatores: idade da paciente; intensidade dos sintomas; planos de gravidez; e extensão da doença. As abordagens podem incluir:
- tratamento clínico, com medicamentos hormonais para bloquear o estímulo estrogênico e reduzir a progressão das lesões e a dor;
- tratamento cirúrgico, quando a dor não melhora com os medicamentos e/ou existe comprometimento anatômico importante;
- técnicas de reprodução assistida para as pacientes inférteis que desejam engravidar.
A estimulação ovariana associada à inseminação artificial e a fertilização in vitro (FIV) são alternativas no âmbito da medicina reprodutiva, dependendo do estágio da doença e das condições reprodutivas do casal (o fator masculino também deve ser avaliado).
Outra importante técnica da reprodução assistida para mulheres com endometriose é o congelamento de óvulos. Antes da cirurgia para retirada de endometrioma, a paciente pode passar pelas etapas de estimulação ovariana e coleta dos óvulos para congelar seus gametas e tentar a gravidez com a FIV no futuro. Essa é uma indicação preventiva, visto que a reserva ovariana também pode sofrer danos durante o procedimento cirúrgico.
Para entender melhor como a endometriose afeta a saúde e a fertilidade da mulher, leia também o conteúdo deste link!
Dr. Mauro Bibancos | WhatsApp