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FIV: quais são as etapas da fertilização in vitro

Publicado em 22/08/2025

Dr Mauro Bibancos

A reprodução assistida envolve um conjunto de procedimentos clínicos e laboratoriais que auxiliam pessoas com dificuldade para engravidar. Entre as técnicas disponíveis, destacam-se: o coito programado, a inseminação artificial e a fertilização in vitro (FIV) — sendo esta última a mais avançada e com as maiores taxas de sucesso.

O coito programado e a inseminação artificial são técnicas de baixa complexidade, pois demandam poucas intervenções e a fecundação do óvulo ocorre nas tubas uterinas, como na concepção natural, ou seja, dentro do corpo da mulher (in vivo). Podem ser tratamentos bem-sucedidos quando indicados para as condições certas, que incluem fatores leves de infertilidade, como disfunção ovulatória.

A FIV, por sua vez, é considerada de alta complexidade e pode ser indicada para um vasto leque de casos de infertilidade feminina e masculina, além de ser uma alternativa importante em outras situações, como preservação da fertilidade, reprodução de casais homoafetivos ou pessoas solteiras e prevenção da transmissão de doenças genéticas.

Quer entender como essa técnica funciona e quais são as etapas envolvidas? Confira as informações a seguir!

O que é FIV?

A FIV é uma técnica complexa de reprodução assistida, que se centraliza na fertilização dos óvulos fora do corpo materno. Os gametas da mulher e do homem são coletados e a união entre eles ocorre em laboratório. Após alguns dias de observação do desenvolvimento embrionário, o embrião é transferido para o útero, geralmente em fase de blastocisto, pronto para se implantar.

Essa técnica pode ser indicada em diferentes situações de infertilidade:

  • obstruções nas tubas uterinas; 
  • endometriose
  • alterações no sêmen (infertilidade masculina); 
  • idade materna avançada; 
  • baixa reserva ovariana; 
  • casais homoafetivos ou pessoas solteiras;
  • opção pelo congelamento de óvulos;
  • risco de gerar embriões com alterações genéticas;
  • falhas em tentativas anteriores nas técnicas de baixa complexidade.

Quais são as etapas da FIV?

A FIV é realizada em várias etapas, que seguem uma ordem planejada e com procedimentos personalizados. Primeiramente, é feita a avaliação completa do casal e o planejamento do tratamento.

A avaliação inclui exames laboratoriais e de imagem, que, além de confirmar os fatores de infertilidade, contribuem para a individualização das intervenções. Por exemplo, avaliar a reserva ovariana é importante tanto para estimar a quantidade de óvulos disponíveis quanto para definir o protocolo de estimulação ovariana mais adequado.

O passo a passo principal da FIV inclui:

1. Estimulação ovariana 

Nessa etapa, a mulher recebe medicações hormonais para que os ovários desenvolvam vários folículos ovarianos. A finalidade é coletar o maior número possível de óvulos maduros e viáveis para a fertilização. 

O desenvolvimento folicular é acompanhado por exames de ultrassonografia. No momento apropriado, quando os folículos atingem o tamanho esperado, realiza-se a indução da ovulação.

2. Coleta dos óvulos

Cerca de 34 a 36 horas após a indução da ovulação, a punção folicular é feita. Trata-se de um procedimento simples, realizado por via vaginal, com sedação leve. Nessa etapa, os óvulos são coletados e enviados ao laboratório de embriologia para análise e preparação para a fertilização.

3. Coleta e preparo do sêmen 

Geralmente no mesmo dia da punção, o sêmen é coletado e processado com métodos de capacitação espermática. O objetivo do preparo seminal é selecionar os espermatozoides com melhor qualidade para a fertilizar os óvulos.

4. Fertilização

Com óvulos e espermatozoides disponíveis, realiza-se a fecundação em laboratório. A forma atualmente mais utilizada para fertilizar os óvulos na FIV é a injeção intracitoplasmática de espermatozoide (ICSI).

Com essa técnica, cada gameta masculino é individualmente micromanipulado e injetado no citoplasma de um óvulo. Dessa forma, é possível reduzir a taxa de falhas de fertilização e formar mais embriões para prosseguir com o tratamento.

5. Cultivo embrionário

Os embriões formados na FIV ficam em incubadora que oferece um ambiente adequado para os primeiros dias de desenvolvimento embrionário fora do corpo materno. O cultivo pode durar até cinco ou seis dias, quando eles atingem o estágio de blastocisto — considerado o momento mais apropriado para a transferência 

6. Transferência embrionária

O protocolo de transferência dos embriões para o útero é individualizado. O procedimento pode ser feito em fase de clivagem (3 dias de cultivo) em alguns casos, mas o estágio de blastocisto é geralmente mais indicado, pois é nessa fase que ocorre a implantação embrionária na concepção natural.

A transferência embrionária é um procedimento simples e indolor, em que um ou mais embriões são colocados no útero da paciente com auxílio de um cateter fino. Também existe a opção — muito utilizada — de congelar os embriões para serem transferidos no ciclo seguinte. Isso permite preparar melhor o útero para recebê-los no momento ideal.

Quais são as técnicas complementares da FIV?

O processo da FIV pode incluir técnicas complementares de acordo com fatores específicos de infertilidade. Isso faz parte da personalização do tratamento. Conheça as principais:

  • doação de óvulos e sêmen para pessoas que não podem gerar filhos utilizando gametas próprios;
  • preservação da fertilidade — congelamento de óvulos, sêmen e embriões para dar continuidade à FIV no futuro. Uma alternativa diante de condições médicas ou decisão pessoal;
  • teste genético pré-implantacional — análise genética dos embriões antes da transferência para o útero, com o objetivo de rastrear alterações cromossômicas ou mutações gênicas associadas a doenças hereditárias; 
  • sistema time-lapse no período de cultivo — tecnologia que realiza o monitoramento contínuo dos embriões, sem necessidade de retirá-los da incubadora. Isso permite identificar, com maior precisão, quais embriões têm potencial de implantação;
  • barriga solidária, para pessoas que não podem gestar, como mulheres com problemas uterinos graves ou ausência de útero e casais homoafetivos masculinos.

Outro recurso aliado antes da FIV é a recuperação espermática, feita pelo médico urologista. Homens com infertilidade por azoospermia (ausência de espermatozoides no sêmen) podem ter seus gametas coletados dos testículos ou epidídimos.

Assim, cada etapa da FIV é pensada de forma individualizada, respeitando as necessidades e características dos indivíduos e casais. Contar com uma equipe experiente e uma clínica que ofereça estrutura completa e acolhimento em todas as fases do processo faz toda diferença.

Leia o texto principal sobre fertilização in vitro (FIV) e aprofunde suas informações!



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