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Sintomas de síndrome do ovário policístico

Publicado em 07/07/2026

Dr Mauro Bibancos

A SOP está frequentemente associada à infertilidade feminina, por esse e outros motivos é importante saber identificar os sintomas para tratar a síndrome precocemente.

A síndrome dos ovários policísticos (SOP) é uma condição comum entre mulheres que estão em idade fértil. Ela está relacionada a alterações hormonais que podem prejudicar a função ovulatória, além de causar sinais e sintomas que afetam a autoestima da mulher.

O nome da síndrome pode gerar confusão: apesar de “policísticos”, os ovários não estão cheios de cistos verdadeiros, mas sim de folículos imaturos, que não chegam a completar seu processo de crescimento e ovulação. A infertilidade é uma consequência disso.

A SOP não é igual em todas as mulheres. Algumas apresentam apenas ciclos menstruais irregulares, enquanto outras têm manifestações na pele, nos cabelos, no peso corporal e na saúde metabólica.

Entenda quais são os sintomas da síndrome do ovário policístico e saiba o que fazer nesses casos para melhorar a saúde e a fertilidade!

O que é SOP?

A SOP ou síndrome dos ovários policísticos é um distúrbio endócrino caracterizado pelo excesso de hormônios andrógenos. Essa condição clínica interfere no funcionamento normal dos ovários e se manifesta de várias formas na saúde da mulher.

Os critérios mais utilizados para o diagnóstico da SOP são os de Rotterdam, que consideram a presença de, pelo menos, dois dos seguintes aspectos:

  • ciclos menstruais irregulares;
  • sinais clínicos ou laboratoriais de excesso de androgênios (hiperandrogenismo);
  • presença de múltiplos folículos nos ovários, observados por ultrassonografia.

Embora a causa exata da SOP ainda não seja totalmente compreendida, sabe-se que fatores genéticos, metabólicos e ambientais estão envolvidos, incluindo a resistência à insulina e o sobrepeso.

Quais são os sintomas de síndrome do ovário policístico?

Os sintomas da SOP variam em intensidade e podem mudar ao longo da vida, mas geralmente estão relacionados ao desequilíbrio hormonal que afeta o ciclo menstrual e o metabolismo.

Veja quais são os principais sinais e sintomas da síndrome do ovário policístico e suas repercussões:

Irregularidade menstrual

É um dos sinais mais frequentes. A mulher pode ter ciclos mais longos que o normal, ausência de menstruação (amenorreia) ou menstruações infrequentes (oligomenorreia). Isso está relacionado com a disfunção ovulatória causada pela SOP, pois sem ovulação geralmente o ciclo não se completa.

Dificuldade para engravidar

Como consequência da anovulação, muitas mulheres com SOP têm infertilidade. Em alguns casos, a ovulação acontece apenas ocasionalmente (oligovulação), o que torna as chances de concepção naturalmente mais baixas.

Aumento de pelos (hirsutismo)

O excesso de hormônios andrógenos pode causar crescimento de pelos em padrão masculino, isto é, em áreas como rosto, queixo, abdômen, peito e costas. Esse é um dos sintomas de SOP que podem afetar a autoestima da mulher e a imagem corporal.

Acne e oleosidade na pele

A pele das mulheres que têm SOP pode ficar mais oleosa e propensa ao surgimento de espinhas, tanto no rosto quanto em outras áreas do corpo. Esse sintoma pode ser incômodo por alterar aspectos estéticos.

Queda de cabelo (alopecia androgenética)

Algumas mulheres apresentam afinamento dos fios ou rarefação capilar, especialmente na parte superior da cabeça, devido ao desequilíbrio hormonal. Trata-se de mais um sintoma com possível impacto na autoestima da portadora de SOP.

Ganho de peso e aumento de riscos metabólicos

A relação entre SOP e sobrepeso é complexa e bidirecional. Isso porque o excesso de peso corporal é fator de risco para o desenvolvimento da síndrome, assim como a síndrome pode ter como consequência o ganho de peso, sobretudo na região do abdômen.

A resistência à insulina, comum na SOP, pode não só aumentar o acúmulo de gordura abdominal como também elevar o risco de síndrome metabólica, diabetes tipo 2, colesterol alto e problemas cardiovasculares.

Portanto, a síndrome do ovário policístico pode ter múltiplas repercussões na saúde da mulher, prejudicando a fertilidade, a saúde endócrino-metabólica e a autoestima.

Por que a SOP causa infertilidade?

Já falamos aqui que a dificuldade de engravidar na SOP tem relação com problemas de ovulação. Essa síndrome é a principal causa de anovulação crônica, então se o óvulo não é liberado para se encontrar com o espermatozoide, não tem como a fecundação e a formação de um embrião acontecerem.

Na SOP, a disfunção ovulatória ocorre porque os níveis elevados de hormônios masculinos interferem no equilíbrio das substâncias que regulam o ciclo menstrual. O principal efeito disso é que os folículos ovarianos não concluem seu processo de crescimento e amadurecimento, necessário para que o óvulo seja liberado. Assim, esses folículos imaturos se acumulam nos ovários, resultando no aspecto de morfologia policística.

Felizmente, a síndrome do ovário policístico é uma condição tratável. Com o manejo adequado, muitas mulheres com SOP conseguem restabelecer o ciclo ovulatório e engravidar, seja naturalmente ou com o auxílio de um especialista em reprodução humana.

O que fazer diante do diagnóstico de SOP?

O diagnóstico da síndrome do ovário policístico é feito com base em avaliação clínica, exames hormonais e ultrassonografia pélvica. Após a confirmação, o tratamento é individualizado, levando em conta o perfil hormonal, o peso corporal, a presença de resistência à insulina e o desejo ou não de engravidar.

As principais estratégias incluem:

  • mudanças no estilo de vida, com alimentação equilibrada e prática regular de atividade física;
  • medicamentos reguladores de ciclo, como anticoncepcionais hormonais;
  • tratamento da resistência à insulina, com uso de metformina em alguns casos;
  • indução da ovulação, para mulheres que desejam engravidar.

As técnicas de reprodução assistida também podem ser indicadas quando a infertilidade persiste, com destaque à estimulação ovariana, que pode ser associada a tratamentos de baixa ou alta complexidade.

O coito programado e a inseminação artificial (baixa complexidade) são opções para mulheres jovens, com boa reserva ovariana e sem problemas tubários. Entretanto, a indicação também depende das condições da fertilidade do parceiro.

A fertilização in vitro (FIV), técnica de maior complexidade, é uma alternativa para casais que apresentam fatores mais graves de infertilidade além da SOP, como idade materna avançada, baixa reserva ovariana, obstrução tubária e alterações masculinas.

Lembrando que, embora a reprodução assistida seja eficaz para aumentar as chances de gravidez, ainda é necessário tratar a síndrome do ovário policístico e fazer o acompanhamento regular do quadro, devido aos riscos à saúde de modo geral.

Leia mais no texto: síndrome dos ovários policísticos (SOP)!

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