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Quantos embriões posso transferir na FIV?

Publicado em 17/03/2026

Dr Mauro Bibancos

Na FIV, os embriões são gerados em ambiente controlado e depois transferidos para o útero materno, mas há um número limitado de embriões que você pode transferir.

A fertilização in vitro (FIV) é uma técnica avançada da reprodução assistida e que já passou por muitos aperfeiçoamentos e inovações para chegar ao nível que está hoje. As normas que orientam esse tipo de tratamento também passaram por mudanças ao longo dos anos, uma delas diz respeito ao número de embriões que podem ser transferidos em um ciclo de FIV.

Esse é um tema que veio despertando mais interesse com o passar do tempo. Se antes era comum transferir vários embriões de uma vez para aumentar as chances de gravidez, hoje isso é visto com mais cautela, devido aos riscos de gestações múltiplas (gemelar, trigemelar etc.).

Os avanços científicos, tecnológicos e genéticos tornaram possível obter altas taxas de sucesso com a transferência de apenas um embrião, priorizando a segurança da gestante e do bebê.

Para saber mais, siga em frente com a leitura deste post e descubra até quantos embriões é possível transferir na FIV!

Quais são as etapas da FIV antes da transferência embrionária?

Transferir os embriões é o último momento de um ciclo de FIV. Antes disso, há todo um processo controlado que envolve procedimentos clínicos e laboratoriais, além da fase de investigação da infertilidade, que também requer a realização de vários exames.

Após o médico identificar as causas de infertilidade do casal, um tratamento é planejado de forma personalizada. Ou seja, as técnicas principais e complementares, bem como os protocolos de estímulo hormonal, de transferência embrionária, entre outros, são escolhidos com base nas necessidades individuais dos pacientes.

Apesar dos ajustes para individualizar cada tratamento, a FIV geralmente tem o seguinte passo a passo:

  • o processo começa com a estimulação ovariana, fase em que medicamentos hormonais são usados para que os ovários desenvolvam vários óvulos de uma vez;
  • na etapa seguinte, esses óvulos são coletados quando estão maduros, mas ainda antes que a mulher ovule;
  • na fase da coleta de óvulos, realiza-se também a coleta de sêmen e o preparo seminal para se obter uma amostra com os melhores espermatozoides;
  • estando os óvulos e os espermatozoides preparados, é feita a fertilização em laboratório;
  • após a fertilização, formam-se os embriões, que são monitorados em incubadora por alguns dias, geralmente até o quinto ou sexto dia de desenvolvimento, quando atingem o estágio de blastocisto;
  • só então, depois de todas as etapas descritas, ocorre a transferência embrionária. Nesse momento, um ou mais embriões são colocados dentro do útero para iniciar o processo de implantação que poderá marcar o início de uma gravidez.

Quantos embriões podem ser transferidos na FIV?

O número de embriões a serem transferidos na FIV depende de alguns fatores:

Segundo as normas que orientam os serviços de medicina reprodutiva, é possível transferir: até 2 embriões para mulheres com até 37 anos; até 3 embriões para mulheres acima dessa idade. Em caso de embriões euploides (com 46 cromossomos) identificados com o PGT, o número é limitado a 2, independentemente da idade materna.

A decisão deve ser individualizada, mas, numa visão ampla, podemos dizer que quanto melhor a qualidade embrionária e mais jovem a paciente, menor é a necessidade de transferir mais de um embrião.

Na maioria dos casos, mulheres com menos de 35 anos e bons embriões podem transferir um único embrião, sendo esse número suficiente para ter boas chances de implantação e gravidez. Já no caso de pacientes mais velhas ou com histórico de falhas em ciclos de FIV, o especialista pode considerar a transferência de mais embriões, sempre partindo de uma avaliação criteriosa.

A prática de transferir múltiplos embriões no mesmo ciclo é cada vez mais rara, mas nem sempre a visão foi essa. Durante os primeiros anos da FIV, acreditava-se que a transferência de três ou mais embriões aumentaria as chances de gravidez. De fato, isso podia elevar as taxas de sucesso, mas também aumentava muito o risco de gestações múltiplas, que são mais associadas a complicações obstétricas.

Com os avanços da embriologia, das técnicas de cultivo embrionário e da análise genética pré-implantacional, hoje é possível selecionar embriões com maior potencial de implantação. Assim, as chances de sucesso aumentam mesmo com a transferência de apenas um embrião.

Outra técnica importante no cenário atual é a vitrificação, técnica moderna de congelamento que preserva os embriões excedentes com boa qualidade. Isso permite que o casal faça novas tentativas em ciclos futuros, transferindo um embrião de cada vez, sem precisar repetir todas as etapas da FIV.

Essas mudanças representam novas perspectivas na medicina reprodutiva, focadas em buscar a gestação única e saudável, e não somente taxas de gravidez a qualquer custo.

O que são embriões euploides e qual é a relação com os protocolos de transferência embrionária?

Embrião euploide é o que apresenta número correto de cromossomos (46). Quando o número é maior ou menor que esse, a condição é chamada de aneuploidia e há um risco maior para falha de implantação no útero, abortamento ou formação de uma criança com síndrome cromossômica.

Hoje, é possível realizar o teste genético pré-implantacional para o rastreio de aneuploidias (PGT-A). Assim, é possível analisar os embriões antes da transferência para identificar se são euploides.

Um embrião euploide apresenta maior probabilidade de implantação e desenvolvimento saudável, o que representa boas chances de sucesso na FIV mesmo que apenas um seja transferido. Contudo, a decisão deve ser individualizada e orientada pelo médico especialista, que considera as evidências científicas e o contexto clínico de cada paciente.

Leia mais sobre FIV neste texto: fertilização in vitro!

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