A preservação da fertilidade é uma alternativa para homens e mulheres que desejam adiar o projeto de ter filhos
A preservação da fertilidade é o conjunto de técnicas que permitem guardar gametas ou embriões para que possam ser utilizados futuramente em tratamentos de reprodução assistida. Isso é feito, por exemplo, por meio do congelamento de óvulos e espermatozoides.
Com a popularização da medicina reprodutiva, a preservação da fertilidade tem chamado a atenção das pessoas que desejam adiar a formação de uma família, seja por motivos profissionais, pessoais ou de saúde. No entanto, junto com o aumento do interesse, podem surgir também dúvidas, informações desencontradas, mitos e expectativas irreais.
A seguir, veja alguns mitos e verdades sobre a preservação da fertilidade!
Preservação da fertilidade: mitos e verdades
Com o fácil acesso a informações, que temos atualmente, principalmente por meio dos canais digitais, é possível encontrar conteúdos sobre os assuntos mais diversos que existem. Entretanto, nem sempre encontramos material bem fundamentado. Além disso, para quem desconhece determinados conceitos médicos, eles podem parecer difíceis de compreender, pelo menos a princípio.
Diante disso, é importante esclarecermos algumas dúvidas para facilitar o entendimento e a tomada de decisão das pessoas que pretendem adiar o plano de ter filhos.
Será que é mito ou verdade? Confira alguns pontos relevantes sobre a preservação da fertilidade!
1. Somente as mulheres podem preservar a fertilidade
Mito. Quando se fala em preservação da fertilidade, logo se pensa em congelamento de óvulos. De fato, essa é uma técnica muito procurada por mulheres que desejam adiar a maternidade. Contudo, os homens também podem congelar espermatozoides para uso futuro.
O congelamento de sêmen é indicado, por exemplo, para homens que vão passar por tratamentos oncológicos ou que apresentam risco progressivo de infertilidade devido a alguma condição de saúde.
2. Congelar óvulos garante gravidez no futuro

Mito. O congelamento de óvulos pode aumentar as chances de gravidez em idades mais tardias, caso esses gametas tenham sido criopreservados ainda jovens (antes dos 35 anos), mas não há garantia de gravidez. Isso porque a taxa de sucesso de um tratamento de reprodução assistida também depende de outros fatores, como saúde do útero e fertilidade do parceiro.
3. Homens também precisam se preocupar com o impacto da idade na fertilidade
Verdade. Durante muito tempo, acreditou-se que a fertilidade masculina não sofria grandes alterações com o avanço da idade. Hoje já se sabe que o envelhecimento testicular também pode afetar a produção de testosterona e a qualidade dos espermatozoides.
Após os 45 anos, aproximadamente, a possível redução na qualidade seminal pode aumentar o risco de falhas de fertilização e de formação de embriões com baixo potencial de implantação no útero.
4. O congelamento pode prejudicar os gametas
Mito. Essa crença vem de técnicas antigas de congelamento, que de fato apresentavam menor taxa de sucesso. Atualmente, a vitrificação — método de congelamento ultrarrápido — garante altas taxas de sobrevivência de óvulos, espermatozoides e embriões, sem impacto relevante na qualidade celular.
Na prática clínica, pacientes que utilizam gametas que foram congelados apresentam resultados semelhantes aos obtidos com gametas frescos, o que faz da criopreservação uma técnica segura e eficaz.
5. A preservação da fertilidade é indicada para quem tem problemas de saúde
Verdade também, mas não é uma indicação exclusiva. As pessoas podem recorrer à preservação oncológica ou terapêutica da fertilidade devido a situações médicas específicas, como tratamentos de câncer e cirurgias nos ovários e testículos. Contudo, esse não é o único cenário.
Em outro contexto, temos a preservação social da fertilidade, procurada principalmente por mulheres que optam pelo congelamento de óvulos para planejar a maternidade com mais tranquilidade, sem a pressão do “relógio biológico”.
Mulheres que priorizam a carreira, ainda não encontraram um parceiro que queira formar família ou ainda queiram se dedicar a outros projetos pessoais antes de engravidar podem se beneficiar dessa estratégia.
Quando considerar a preservação da fertilidade?
A decisão de preservar a fertilidade é individual e deve ser orientada por um médico especialista em reprodução assistida. Ainda assim, há situações específicas em que o procedimento é uma alternativa relevante, por exemplo:
- mulheres que se aproximam dos 35 anos (ou até com idade superior a essa, dependendo da situação da reserva ovariana), devido à queda significativa na quantidade e na qualidade dos óvulos;
- homens com redução progressiva na qualidade do sêmen em decorrência de alguma doença, como a varicocele;
- pacientes oncológicos (homens e mulheres), antes de iniciar quimioterapia, radioterapia ou cirurgias que possam comprometer a fertilidade;
- outras condições de saúde que impõe risco à fertilidade, como endometrioma (cisto de endometriose ovariana) e alterações genéticas que levam à falência ovariana prematura.
Ao decidir utilizar os gametas ou embriões que foram criopreservados, o(a) paciente ou casal solicita o descongelamento e prossegue com o tratamento de reprodução assistida.
O homem pode usar os espermatozoides em uma inseminação artificial, caso sua parceira seja jovem (menos de 35 anos) e tenha tubas uterinas saudáveis, visto que, nessa técnica, a fecundação ocorre naturalmente nas trompas. Já no caso de congelamento de óvulos ou embriões, é preciso dar sequência às etapas da fertilização in vitro (FIV), que vão incluir fertilização, cultivo e transferência, ou apenas a última etapa no caso de embriões congelados.
O acesso a informações corretas é um ponto importante para a tomada de decisão consciente. Por isso, a avaliação médica individualizada é o primeiro passo para quem deseja esclarecer mais dúvidas e realizar a preservação da fertilidade.
Saiba mais com a leitura de outro texto sobre preservação da fertilidade!
Dr. Mauro Bibancos | WhatsApp


