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Infertilidade masculina: saiba mais sobre os fatores desse tipo de infertilidade

Publicado em 22/08/2025

Dr Mauro Bibancos

Quando um casal passa por contínuas tentativas de gravidez sem sucesso, pode ser preciso investigar as possíveis causas. Tanto a mulher quanto o homem podem ser inférteis. Nesse cenário, ainda é comum que a avaliação se concentre mais nas condições femininas, mas é importante que as pessoas compreendam que em até 50% dos casos há fatores de infertilidade masculina.

De modo geral, existem três tipos principais de infertilidade:

  • feminina, relacionada a fatores como endometriose, alterações hormonais, problemas nas tubas uterinas, entre vários outros;
  • masculina, causada principalmente por alterações nos espermatozoides;
  • sem causa aparente (ISCA), assim caracterizada quando os exames do casal estão normais, nenhuma alteração é encontrada, mas a gravidez não acontece.

Neste artigo, vamos falar especialmente sobre a infertilidade masculina, suas principais causas, diagnóstico e tratamento. Acompanhe!

O que define a infertilidade?

A infertilidade é definida como a incapacidade de engravidar após um ano de tentativas regulares, sem o uso de métodos contraceptivos. Perdas gestacionais recorrentes também fazem parte desse quadro, ou seja, tanto a ausência de gravidez quanto a dificuldade de levar a gestação a termo podem caracterizar a infertilidade conjugal.

Quando o casal está tentando há algum tempo sem sucesso, é importante procurar ajuda médica especializada para investigar os motivos. Se a mulher tiver mais que 35 anos, o tempo de tentativas pode diminuir para apenas 6 meses, pois é importante buscar avaliação quanto antes, uma vez que o avanço da idade pode diminuir cada vez mais a fertilidade.

A avaliação do casal infértil é feita de forma conjunta. O homem e a mulher devem ser examinados para que o diagnóstico seja mais preciso e possa abranger todos os fatores que afetam as chances de concepção. 

Por que olhar com mais atenção para a infertilidade masculina?

Durante muito tempo, a responsabilidade pela infertilidade do casal foi relacionada quase exclusivamente à incapacidade conceptiva da mulher. Essa visão, além de equivocada, pode atrasar o diagnóstico e impedir que o casal receba o tratamento adequado. Portanto, é preciso olhar com mais atenção para o homem nesse processo de avaliação.

Hoje, sabemos que a infertilidade masculina é tão comum quanto a feminina e que há ferramentas cada vez mais acuradas para identificar fatores no homem que nem sempre são revelados com os exames convencionais.

No contexto atual, os profissionais de medicina reprodutiva precisam se aprofundar nessa compreensão acerca da saúde do homem, seja o médico urologista ou ginecologista. Isso porque, já se conhece muito sobre os fatores femininos. Agora, é preciso investigar o homem com o mesmo cuidado e profundidade.

Quais são os principais fatores de infertilidade masculina?

A maioria dos casos de infertilidade masculina está relacionada a problemas na produção, quantidade ou qualidade dos espermatozoides. Alterações no transporte dos gametas pelo trato reprodutivo, bem como disfunções sexuais e ejaculatórias também estão entre os fatores.

Esses problemas podem ser causados por:

  • varicocele, condição provocada por falhas no retorno sanguíneo dos vasos que drenam o sangue dos testículos, o que causa dilatação das veias e aumento da temperatura intratesticular;
  • distúrbios hormonais, sobretudo deficiência de testosterona;
  • infecções urogenitais;
  • alterações genéticas;
  • obstruções nos canais por onde os espermatozoides passam;
  • uso abusivo de substâncias químicas (álcool, cigarro, anabolizantes e drogas recreativas);
  • exposição frequente ao calor, radiação ou toxinas, como pesticidas ou metais pesados;
  • condições crônicas que afetam a saúde endócrina e metabólica, como diabetes e obesidade.

Como diagnosticar e tratar as alterações masculinas?

O primeiro passo é a realização de um exame simples e acessível: o espermograma. Ele avalia a concentração, motilidade e morfologia dos espermatozoides, entre outros aspectos seminais, oferecendo uma visão inicial da saúde reprodutiva do homem.

Entre as possíveis alterações espermáticas identificadas pelo espermograma, estão:

  • baixa concentração de espermatozoides (oligozoospermia);
  • alto índice de gametas com motilidade reduzida (astenozoospermia);
  • alto índice de gametas com morfologia anormal (teratozoospermia);
  • ausência de espermatozoides no ejaculado (azoospermia).

Se alguma anormalidade for encontrada com o espermograma, outros exames podem ser solicitados para aprofundar a investigação da infertilidade masculina, como:

  • testes de função hormonal;
  • ultrassonografia da bolsa escrotal;
  • exames genéticos, como o cariótipo com banda G e o Exoma; 
  • teste de fragmentação do DNA espermático.

De acordo com os resultados dessa avaliação completa, pode-se definir a abordagem de tratamento para a causa identificada. Veja algumas possibilidades:

  • cirurgia para correção de varicocele;
  • uso de medicações e mudanças no estilo de vida para melhorar os níveis hormonais e/ou controlar doenças crônicas;
  • técnicas de reprodução assistida.

Quando não é possível tratar a causa da infertilidade diretamente ou a gestação não acontece, mesmo após outras condutas médicas, as técnicas de reprodução assistida se tornam grandes aliadas.

Os fatores leves de infertilidade masculina podem ser superados com preparo seminal e inseminação artificial, desde que a parceira seja jovem e tenha tubas uterinas saudáveis. Já para os casos mais complexos, como a azoospermia, a fertilização in vitro (FIV) é a melhor alternativa. 

Mesmo em condições graves, muitas vezes é possível recuperar espermatozoides que ainda estão nos testículos ou epidídimos por meio de punção ou biópsia. Então, esses gametas, mesmo que recuperados em pequena quantidade, podem ser usados para fertilizar os óvulos na FIV com injeção intracitoplasmática de espermatozoide (ICSI). 

A infertilidade masculina é uma realidade que precisa ser discutida com mais clareza e acolhimento. O diagnóstico precoce e a abordagem adequada fazem toda a diferença no sucesso do tratamento.

Confira mais em nosso artigo principal sobre infertilidade masculina!



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