O PGT é um exame que ajuda na seleção de embriões durante a fertilização in vitro, mas é indicado apenas em situações específicas
A fertilização in vitro (FIV) é uma importante técnica da reprodução assistida e que já ajudou inúmeros casais que tinham dificuldade para engravidar. Ao longo das décadas, desde o primeiro nascimento bem-sucedido nos anos 70, novos recursos foram desenvolvidos e outros aprimorados, aumentando progressivamente as taxas de sucesso da FIV. Entre as ferramentas que foram incorporadas, está o teste genético pré-implantacional (PGT).
Esse exame permite avaliar alterações nos cromossomos ou em genes específicos dos embriões antes da transferência para o útero, oferecendo maior segurança para determinados perfis de pacientes. Dependendo do caso, pode-se reduzir os riscos de falhas no tratamento, abortamento e até o desenvolvimento de uma síndrome genética na criança.
A dúvida que algumas pessoas têm é se o PGT sempre é realizado na FIV. Quer saber qual é a resposta para essa questão? Continue a leitura! Também vamos explicar como o teste funciona, quando ele pode ser recomendado e quais são suas vantagens e limitações.
O que é o PGT?

O PGT — sigla de Preimplantation Genetic Testing ou, em português, teste genético pré-implantacional — é um exame realizado em embriões gerados por FIV. Antes de serem transferidos para o útero materno, os embriões são submetidos à biópsia e uma amostra de células coletadas é enviada para análise genética.
O objetivo do PGT é aumentar a chance de sucesso e a segurança do tratamento ao selecionar os embriões mais saudáveis para a transferência, ou seja, aqueles livres de alterações genéticas, pois eles podem ter maior potencial de implantação no útero e mais probabilidade de resultar em uma gestação saudável.
A coleta das células embrionárias é feita preferencialmente em estágio de blastocisto (no quinto ou sexto dia de desenvolvimento), pois nessa fase os embriões já apresentam muitas células, tanto as que vão formar o próprio embrião quanto as que vão dar origem aos anexos embrionários, como a placenta.
Até chegar no estágio de blastocisto, os embriões ficam em incubadora, sendo monitorados diariamente. No momento da biópsia, a amostra celular é coletada do trofoblasto, parte que formará os anexos embrionários, de forma que não há risco para o desenvolvimento do embrião em si.
Existem diferentes tipos de PGT:
- o PGT-A faz o rastreio de aneuploidias, isto é, ele avalia alterações no número de cromossomos, como ocorre na síndrome de Down, que está relacionada à presença de um cromossomo extra (trissomia 21);
- o PGT-M faz a pesquisa de doenças monogênicas. Ele identifica se os embriões apresentam mutações em genes específicos, que possam ocasionar doenças hereditárias, como a fibrose cística;
- o PGT-SR analisa se existem rearranjos estruturais nos cromossomos, como inversões de segmentos, deleções e translocações;
- o PGT-P avalia o risco de o indivíduo desenvolver determinados problemas de saúde ao longo da vida, como câncer, diabetes e doenças cardiovasculares. No entanto, algumas dessas condições não dependem apenas de predisposição genética, mas também de fatores relacionados ao estilo de vida.
Dentre os listados, o teste mais realizado é o PGT-A, e pode ser indicado em diversas situações, como idade materna avançada e histórico de abortamento de repetição. O PGT-M também tem grande relevância, sobretudo para casais que têm diagnóstico de síndromes hereditárias na família. Já o PGT-SR e o PGT-P não são comumente indicados.
O PGT sempre é feito na FIV?
Não. O PGT não é uma etapa obrigatória em todos os ciclos de FIV. Trata-se de uma técnica complementar, recomendada em situações específicas, após avaliação criteriosa do especialista em reprodução assistida.
Muitos casais conseguem engravidar pela FIV sem a necessidade do teste. Por isso, sua indicação depende de fatores como idade, histórico reprodutivo e risco de doenças genéticas.
Veja as principais situações em que o PGT pode ser indicado:
- mulheres com idade avançada (acima de 35 anos), devido ao risco maior de aneuploidias;
- casais com histórico de abortamentos recorrentes, que podem ser causados por alterações cromossômicas nos embriões;
- casais com histórico familiar de doenças genéticas que possam ser transmitidas para os descendentes;
- resultados alterados no exame do cariótipo, geralmente realizado durante a investigação da infertilidade conjugal;
- falhas repetidas em ciclos de FIV. Casais que já passaram pelo tratamento sem sucesso podem ter algum fator genético dificultando a implantação embrionária e a confirmação da gravidez.
Quais são as vantagens e limitações do PGT?
O PGT tem a vantagem de oferecer maior precisão na escolha dos embriões, possibilitando a seleção daqueles com menor risco de ocasionar abortos ou de transmitir alterações genéticas que possam resultar em síndromes.
Embora as análises genéticas sejam muito eficientes no rastreamento de anormalidades, ainda existe a limitação de não oferecer 100% de garantia de segurança. Além disso, a realização do PGT não representa uma certeza de gravidez, pois fatores uterinos, hormonais ou imunológicos podem impedir a gestação, mesmo com embriões saudáveis.
O PGT, portanto, é uma ferramenta valiosa no contexto atual da medicina reprodutiva, mas não é indicado para todos os pacientes que fazem FIV. Sua utilização deve ser avaliada caso a caso, levando em conta todas as características e o histórico do casal. Por isso, a decisão deve ser sempre individualizada.
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Dr. Mauro Bibancos | WhatsApp


