O coito programado é uma técnica simples de reprodução assistida que pode ajudar casais com fatores leves de infertilidade
Nem sempre a dificuldade para engravidar exige intervenção com técnicas complexas como a fertilização in vitro (FIV). Em muitos casos, é possível superar a infertilidade com condutas mais simples. No campo da reprodução assistida, por exemplo, uma abordagem simples, mas que pode ser muito eficiente em determinadas situações, é o coito programado.
Trata-se de um método que combina monitoramento do processo pré-ovulatório e programação das relações sexuais para o período do mês com mais chances de concepção, isto é, o período fértil da mulher. Embora seja uma técnica relativamente simples, ela exige acompanhamento adequado e critérios específicos para indicação.
Confira, neste artigo, o que é coito programado, como funciona e para quem é recomendado!
O que é coito programado?
O coito programado ou relação sexual programada é uma técnica de baixa complexidade de reprodução assistida. Seu objetivo é identificar e otimizar o momento mais propício para a fertilização natural, orientando o casal a manter relações sexuais no período mais fértil da mulher.
Saber calcular o período fértil é uma estratégia eficiente tanto para aumentar as chances de concepção quanto para evitar uma gravidez não planejada. O método popularmente chamado de “tabelinha” segue a mesma lógico do coito programado, mas a técnica de reprodução humana assistida tem seus diferenciais.
No coito programada acompanhado por um médico especialista em medicina reprodutiva, é feita a previsão do período fértil, mas também o monitoramento detalhado do processo pré-ovulatório. Também podem ser utilizados medicamentos específicos para indução da ovulação.
Em síntese, o coito programado envolve o acompanhamento médico para determinar quando ocorrerá a ovulação, seja de forma espontânea ou estimulada com medicação. O propósito é aumentar as chances do encontro entre o óvulo e os espermatozoides dentro do corpo da mulher.
Como funciona o coito programado?

O coito programado é uma técnica simples e com mínimas intervenções médicas. Ainda assim, existe um passo a passo a ser seguido. Veja:
1. Avaliação inicial
Antes de iniciar qualquer tratamento de reprodução assistida, o casal passa por uma consulta com o médico especialista e realiza exames para verificar todos os possíveis fatores de infertilidade. Se existirem condições mais graves, como obstrução das trompas, alterações graves na qualidade dos espermatozoides ou baixa reserva ovariana, deve-se considerar a realização de uma técnica de maior complexidade, como a FIV.
2. Estimulação ovariana
O coito programado pode ser feito com o acompanhamento do ciclo ovulatório natural ou com estimulação ovariana controlada. Nesse segundo caso, o médico prescreve medicamentos hormonais para estimular os ovários, aumentando as chances de que a mulher libere um óvulo maduro para ser fertilizado.
3. Monitoramento da ovulação
Ao longo da fase folicular, na qual os folículos ovarianos crescem para liberar um óvulo, são realizadas ultrassonografias seriadas e exames hormonais para identificar o dia em que a ovulação ocorrerá.
4. Orientação sobre o momento das relações
Orientando-se pela estimativa da data da ovulação, o casal deve programar suas relações sexuais para o período fértil da mulher, que abrange cerca de 3 dias antes da ovulação e até 1 depois, totalizando cerca de 5 dias. Esse período coincide com a maior chance de os espermatozoides encontrarem o óvulo nas tubas uterinas para que ocorra a fecundação.
Para quem o coito programado é indicado?
O coito programado não é indicado para todos os casais. Ele costuma ser recomendado em situações específicas. A principal é a disfunção ovulatória, desde que não exista nenhum fator mais complexo de infertilidade conjugal. Casais com infertilidade sem causa aparente (ISCA) também podem começar o tratamento de reprodução assistida pela relação sexual programada.
Alguns critérios são importantes para que o casal possa ter sucesso com o coito programado. Entre eles:
- idade materna: a técnica é preferencialmente indicada para mulheres jovens (com menos de 35 anos) e boa reserva ovariana;
- saúde das tubas uterinas: como a fecundação do óvulo deve ocorrer naturalmente, dentro do corpo feminino, é importante que pelo menos uma das trompas esteja desobstruída;
- parâmetros seminais normais: no resultado do espermograma, não podem conter alterações, ou seja, para ter chances de sucesso no coito programado, o homem deve ter no sêmen boa concentração de espermatozoides, assim como motilidade e morfologia espermática adequadas.
Quais são as chances de sucesso do coito programado?
As taxas de sucesso do coito programado giram em torno de 15% por ciclo de tentativa (por mês), portanto são semelhantes às de concepção natural para um casal fértil. O casal pode tentar engravidar com essa técnica por alguns meses (entre 3 e 6, conforme orientação médica). Em caso de insucesso, deve-se considerar o uso de inseminação artificial ou FIV.
As vantagens do coito programado são o não envolvimento de procedimentos laboratoriais ou cirúrgicos invasivos e o baixo custo, visto que se trata da técnica mais acessível da reprodução assistida.
Por outro lado, também há limitações, pois o coito programado não é indicado para todas as idades ou quadros de infertilidade e as taxas de sucesso são inferiores às de técnicas mais complexas, sobretudo da FIV, que pode ultrapassar os 50% de chances de gravidez, dependendo das características do casal.
Aprofunde suas informações sobre a técnica com a leitura deste texto: coito programado!
Dr. Mauro Bibancos | WhatsApp


