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Hipotireoidismo: o que é? Tem relação com a fertilidade?

Publicado em 07/07/2026

Dr Mauro Bibancos

O funcionamento da tireoide influencia o ciclo menstrual, a ovulação e as chances de engravidar, portanto é importante saber quando investigar e tratar o hipotireoidismo.

A tireoide é uma glândula endócrina localizada na parte da frente do pescoço. Ela tem muitas funções importantes em diferentes sistemas, atuando em praticamente todo o organismo. Os hormônios tireoidianos participam da regulação do metabolismo, do gasto energético, da temperatura corporal, do ritmo cardíaco, entre várias outras funções, inclusive relacionadas ao sistema reprodutor.

A atividade reduzida da tireoide, conhecida como hipotireoidismo, pode provocar alterações hormonais capazes de interferir na ovulação e na receptividade uterina, prejudicando as tentativas de concepção e aumentando o risco de abortamento. Sendo assim, a dosagem dos hormônios da tireoide deve ser considerada na investigação de mulheres que desejam engravidar.

Leia este artigo e compreenda a relação entre hipotireoidismo e infertilidade!

Qual é a importância da tireoide para a fertilidade?

Os hormônios tireoidianos (T3 e T4) interagem com outros eixos hormonais, como o eixo hipotálamo-hipófise-ovário (HHO), que é o principal responsável por regular as funções do sistema reprodutor. Na mulher, esses hormônios participam de importantes processos reprodutivos, incluindo foliculogênese, fertilização, embriogênese e implantação do embrião no útero.

Em síntese, o equilíbrio hormonal é essencial para ter:

  • função ovulatória e ciclos menstruais regulares;
  • desenvolvimento adequado dos folículos ovarianos e boa qualidade dos óvulos;
  • formação e desenvolvimento saudável do embrião;
  • boa receptividade uterina para a implantação embrionária;
  • redução de riscos gestacionais, como o abortamento.

Alterações na produção dos hormônios podem levar ao mau funcionamento de todo organismo. Em relação à fertilidade, em específico, as consequências incluem disfunções ovulatórias, preparo uterino inadequado, redução da libido e, em homens, disfunção erétil e prejuízos na produção e na qualidade dos espermatozoides.

Os hormônios tireoidianos participam tanto da fertilidade feminina quanto da masculina. Entretanto, as disfunções da tireoide afetam 5 a 20 vezes mais as mulheres do que os homens, com repercussões na saúde e no bem-estar ao longo de todas as fases da vida. Veja:

  • na infância, meninas com hipotireoidismo congênito podem ter prejuízos no desenvolvimento físico e neuropsicomotor, se não houver diagnóstico e tratamento precoce;
  • na adolescência, surgem as irregularidades menstruais;
  • durante toda a idade reprodutiva, as desordens tireoidianas podem causar infertilidade e complicações obstétricas;
  • nas fases de climatério e menopausa, as doenças da tireoide atuam sinergicamente com as mudanças hormonais típicas dessas fases, potencializando os sintomas incômodos e os riscos à saúde óssea e cardiovascular.

O que é hipotireoidismo?

O hipotireoidismo é caracterizado pela hipoatividade da tireoide. Nessa condição, a glândula não produz hormônios em níveis suficientes para atender às necessidades do corpo. As disfunções tireoidianas estão entre as alterações endócrinas mais frequentes, precedidas apenas pelo diabetes mellitus.

A causa mais comum do hipotireoidismo é a tireoidite de Hashimoto, uma doença autoimune que ataca as células da tireoide. Outras possíveis causas incluem deficiência de iodo, cirurgias na tireoide, tratamentos prévios com iodo radioativo ou radioterapia nas regiões da cabeça e do pescoço.

O hipotireoidismo pode ser facilmente detectado por exames de sangue que avaliam os níveis de TSH (hormônio estimulador da tireoide) e dos hormônios tireoidianos. Um aumento leve do TSH contrastando com T3 e T4 em concentração normal pode indicar hipotireoidismo subclínico, que é o mais comum. Já o TSH elevado, acompanhado de baixos níveis de T3 e T4, indica a doença em seu estágio clínico.

Por que o hipotireoidismo pode causar infertilidade?

O hipotireoidismo pode causar infertilidade feminina quando não diagnosticado ou tratado adequadamente. Os eixos hipotálamo-hipófise-tireoide e hipotálamo-hipófise-ovário se entrelaçam em suas atividades hormonais, de modo que alterações tireoidianas podem causar diversas irregularidades no sistema reprodutor.

Entre os principais mecanismos envolvidos, estão:

  • alterações na secreção de GnRH (hormônio liberador de gonadotrofina), que estimula a hipófise a liberar LH e FSH, os hormônios que, por sua vez, estimulam as funções ovarianas;
  • aumento dos níveis de prolactina, que pode inibir a ovulação;
  • irregularidades menstruais, como ciclos longos, anovulatórios (sem ovulação) e amenorreia (ausência de menstruação);
  • insuficiência lútea (baixos níveis de progesterona), que prejudica a receptividade uterina e torna o ambiente desfavorável para o embrião se implantar.

Além disso, mesmo em mulheres que conseguem engravidar, o hipotireoidismo não tratado representa um risco para a evolução da gestação, podendo causar abortamento, parto prematuro e baixo peso ao nascimento.

Como diagnosticar e tratar?

Os sintomas do hipotireoidismo podem ser inespecíficos e, muitas vezes, confundidos com outras condições. Entre vários outros, estão cansaço excessivo, ganho de peso, intolerância ao frio, queda de cabelo, pele ressecada e alterações menstruais.

O diagnóstico é feito por meio dos testes de função hormonal. Em mulheres que desejam engravidar ou estão em investigação da infertilidade, a avaliação da função tireoidiana faz parte da abordagem inicial, mesmo na ausência de sintomas evidentes.

O tratamento do hipotireoidismo é feito com reposição hormonal, que tem como objetivo normalizar os níveis dos hormônios e as funções que são reguladas por eles. Quando a doença é adequadamente tratada, a fertilidade pode permanecer preservada.

Para casais que prosseguem com infertilidade mesmo com o controle do hipotireoidismo, recomenda-se o acompanhamento com um médico especialista em reprodução humana para avaliação aprofundada e definição de estratégias personalizadas de tratamento, que podem incluir indução da ovulação, fertilização in vitro (FIV) e outras técnicas.

Leia mais sobre os fatores que dificultam a gravidez do casal neste texto: tipos de infertilidade!

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