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Estimulação ovariana: o que é e como é feita?

Publicado em 17/03/2026

Dr Mauro Bibancos

A estimulação ovariana é uma técnica de reprodução assistida que pode ser realizada como etapa inicial de todos os tipos de tratamentos, de baixa e alta complexidade.

Os ovários são as gônadas, isto é, os órgãos do sistema reprodutor feminino responsáveis por desenvolver e liberar os óvulos, bem como produzir os hormônios reprodutivos (estrogênio e progesterona). Eles estão localizados um de cada lado do útero e geralmente liberam somente um óvulo por ciclo menstrual, mas com a estimulação ovariana esse número pode ser maior.

Na reprodução assistida, há várias técnicas que ajudam a otimizar funções do sistema reprodutor e, assim, superar disfunções que causam infertilidade. A estimulação ovariana é uma das mais importantes, e você entenderá por que logo a seguir. Acompanhe!

O que é estimulação ovariana?

Estimulação ovariana é uma técnica realizada no início dos tratamentos de reprodução assistida. A finalidade é aumentar o número de óvulos que os ovários desenvolvem em um ciclo, o que é feito com medicamentos hormonais que provocam ações semelhantes às dos hormônios endógenos que estimulam a ovulação natural.

A cada mês, os hormônios folículo-estimulante e luteinizante (FSH e LH) são secretados pela hipófise e ativam o desenvolvimento de folículos ovarianos, mas um único folículo se torna dominante, amadurece e libera um óvulo.

Com a estimulação ovariana, é possível desenvolver vários folículos e obter múltiplos óvulos no mesmo ciclo reprodutivo. Entretanto, isso depende do tratamento indicado: nos de baixa complexidade, é preciso cuidar para que o estímulo seja brando e não ofereça risco de gestação gemelar; na fertilização in vitro (FIV), quanto maior o número de óvulos coletados, mais chances de sucesso.

Seja qual for o protocolo escolhido, a estimulação ovariana otimiza o funcionamento do sistema reprodutor feminino e é o ponto de partida para que os tratamentos aconteçam de forma controlada e segura.

Como a estimulação ovariana é feita?

A estimulação ovariana segue algumas etapas preestabelecidas, mas pode demandar ajustes ao longo de sua realização. Isso porque as doses são prescritas de forma individual, considerando a idade da mulher, o estado da reserva ovariana, o histórico clínico, as causas de infertilidade e respostas anteriores a tratamentos hormonais.

Em resumo, a mulher passa pelos seguintes procedimentos:

  • são administradas medicações orais ou injeções de hormônios que estimulam o crescimento dos folículos ovarianos;
  • o médico realiza ultrassonografias para acompanhar o desenvolvimento dos folículos e ajustar as doses, se necessário;
  • após o crescimento folicular esperado, é aplicado um hormônio que induz a ovulação, provocando a maturação final dos óvulos.

A indução da ovulação define o momento ideal para a inseminação artificial ou para a coleta de óvulos, dependendo do tipo de tratamento que foi indicado.

Veja o papel da estimulação ovariana no contexto de cada técnica de reprodução assistida!

Coito programado

No coito programado, a estimulação ovariana é feita de forma leve, com o intuito de induzir o amadurecimento de apenas dois ou três folículos para que um deles chegue a ovular. Então, com base no monitoramento ultrassonográfico e na previsão da data da ovulação, o casal deve programar suas relações sexuais para o período fértil.

Inseminação artificial e coito programado são técnicas de baixa complexidade da reprodução assistida, nas quais a mulher pode passar por estímulo ovariano, mas tem a ovulação para que o óvulo seja fertilizado in vivo (dentro do corpo, na tuba uterina). Por isso, é necessário ter um cuidado com a dose das medicações, que deve ser baixa para reduzir o risco de gravidez gemelar.

Inseminação artificial

Na inseminação artificial, o estímulo também é brando e visa ao desenvolvimento de aproximadamente três folículos para aumentar as chances de liberar um óvulo no período esperado.

Após o disparo da ovulação, a inseminação é agendada e consiste na introdução de uma amostra de sêmen no útero. Essa amostra é primeiramente processada com métodos de preparo seminal ou capacitação espermática, que permitem a seleção dos espermatozoides móveis.

Tanto o coito programado quanto a inseminação artificial têm indicações criteriosas, sendo opções preferencialmente para casais em que a mulher tem óvulos jovens (menos de 35 anos) e tubas uterinas permeáveis para que ocorra a fecundação natural.

Fertilização in vitro

Na FIV, a estimulação ovariana é mais intensa, pois o objetivo é obter o maior número possível de óvulos maduros para a fertilização em laboratório. Se necessário, inclusive, são utilizados protocolos específicos, como o DuoStim (duplo estímulo de ovulação) no caso de mulheres com baixa reserva ovariana.

Ao contrário do que acontece nas técnicas de baixa complexidade, a mulher não pode chegar a ovular durante a FIV, pois os óvulos precisam ser coletados e fecundados fora do corpo. Sendo assim, no momento adequado, realiza-se a aspiração folicular e a coleta.

Em seguida, os óvulos são fertilizados com espermatozoides selecionados no preparo seminal e formam os embriões que são transferidos para o útero.

Seja em técnicas de baixa ou alta complexidade, a estimulação ovariana é uma técnica controlada e feita com doses individualizadas. O acompanhamento médico é rigoroso para ajustar o protocolo conforme a resposta de cada paciente.

Para mais informações leia este texto: estimulação ovariana!

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