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Reserva ovariana: o que é?

Publicado em 14/10/2025

Dr Mauro Bibancos

A reserva ovariana indica a quantidade de óvulos que a mulher possui. Entenda o que ocorre com ela ao longo dos anos e sua importância para a fertilidade.

A fertilidade feminina resulta do bom funcionamento de vários órgãos. Os aspectos mais importantes são: equilíbrio hormonal, regularidade ovulatória, qualidade dos óvulos, permeabilidade das tubas uterinas e anatomia do útero. Quando falamos em ovulação, especificamente, há um termo que se destaca: a reserva ovariana.

Ao compreender o que é essa reserva ovariana e o que acontece com ela ao longo da vida reprodutiva feminina, você poderá tomar decisões mais seguras em relação aos planos de gravidez e buscar acompanhamento médico quanto antes, dependendo das suas características, condições clínicas e expectativas.

Leia o post inteiro com atenção!

O que é reserva ovariana?

Reserva ovariana é o conjunto de folículos (estruturas que contêm os óvulos) ainda presentes nos ovários. A quantidade dessas células reduz naturalmente durante a vida fértil da mulher, o que significa que uma avaliação da reserva ovariana feita aos 25 anos, por exemplo, e outra realizada após os 35 apresentarão resultados diferentes.

Os homens podem produzir espermatozoides até uma idade tardia, embora a qualidade dessas células também possa reduzir. No entanto, a fertilidade das mulheres se encerra mais rápido, elas nascem com seu estoque de folículos e apresentam um importante declínio, tanto no número quanto na qualidade dos óvulos, a partir dos 35 anos.

O funcionamento dos ovários é dinâmico. Esses órgãos passam por anos de quiescência durante a infância. A partir da puberdade, ocorrem os ciclos ovarianos estimulados por hormônios e caracterizados pelo recrutamento e desenvolvimento de grupos de folículos, culminando na liberação de um óvulo (ovulação). Isso ocorre continuamente até o esgotamento da reserva ovariana, que marca a chegada da menopausa.

Na puberdade, a menina tem por volta de 300 a 400 mil folículos ovarianos guardados. Ao longo da vida reprodutiva, apenas 400 a 500 são ovulados, enquanto os demais se perdem naturalmente por um processo de atresia folicular.

Com exames laboratoriais e de imagem, é possível avaliar a reserva ovariana, sobretudo em relação à quantidade de folículos disponíveis para o desenvolvimento. Já a queda na qualidade dos óvulos não pode ser mensurada de modo fidedigno, contudo sabe-se que está ligada ao avanço da idade feminina.

Quais são as causas de infertilidade associadas à reserva ovariana?

A idade avançada é o principal fator associado à redução da reserva ovariana, mas não o único. O número de folículos e a qualidade dos óvulos podem diminuir devido a:

  • fatores genéticos e hereditários, como alterações cromossômicas e histórico de menopausa precoce na família;
  • falência ovariana prematura, decorrente de fatores genéticos, tratamentos médicos ou causas idiopáticas (desconhecidas);
  • endometrioma (cisto formado por endometriose ovariana);
  • cirurgia no ovário para retirada de endometrioma ou tumor; 
  • tratamentos oncológicos (quimioterapia e radioterapia pélvica);
  • tabagismo e exposição a toxinas ambientais;
  • doenças autoimunes e algumas causas metabólicas.

Quando a reserva ovariana está baixa, as chances de concepção natural diminuem com o tempo. Da mesma forma, a resposta à estimulação ovariana nos tratamentos de reprodução assistida tende a ser menor, o que pode exigir estratégias específicas para maximizar os resultados.

Você pode conversar com um médico especialista em ginecologia e/ou medicina reprodutiva e pedir encaminhamento para os exames de avaliação da reserva ovariana, seja com a intenção de engravidar em breve ou para fazer um planejamento reprodutivo de longo prazo, considerando a possibilidade de congelar os óvulos para uma gravidez futura.

A avaliação da reserva ovariana inclui principalmente a dosagem do hormônio antimülleriano, produzido pelos folículos ovarianos em crescimento, e a ultrassonografia transvaginal para contagem de folículos antrais. As dosagens de hormônio folículo-estimulante (FSH) e estradiol também podem complementar essa avaliação.

Quais técnicas de reprodução assistida podem ajudar?

A fertilização in vitro (FIV) costuma ser a técnica mais apropriada para mulheres com baixa reserva ovariana. Contudo, a escolha do tratamento é personalizada, pois é preciso considerar a idade feminina, o tempo de tentativas de gravidez, os resultados de exames e os objetivos do casal.

Nesses casos, a FIV pode ser feita com protocolos ajustados de estimulação ovariana, isto é, com doses de medicações hormonais prescritas de acordo com as características e respostas de cada mulher. Dessa forma, é possível aumentar o número de óvulos para a coleta.

Em mulheres com baixa reserva ovariana decorrente de idade avançada, pode-se também desconfiar da baixa qualidade das células reprodutivas. Sendo assim, o teste genético pré-implantacional para aneuploidias (PGT-A) é uma técnica complementar importante, uma vez que sua finalidade é selecionar embriões sem anormalidades no número de cromossomos.

A doação de óvulos é outra técnica relevante e com altas taxas de sucesso quando a reserva ovariana está muito baixa e não permite a coleta de um número suficiente de óvulos para a FIV. Na clínica do Dr. Mauro Bibancos, inclusive, temos grande procura em razão do custo-benefício da ovodoação.

Por fim, uma conduta preventiva e cada vez mais buscada na reprodução assistida é a preservação da fertilidade por meio do congelamento de óvulos. O objetivo é guardar óvulos jovens para usá-los após os 35 ou até 40 anos, quando a chance natural de concepção já tiver diminuído.

A preservação da fertilidade também é indicada por razões médicas, antes de tratamentos que possam afetar a reserva ovariana, como as terapias oncológicas e cirurgias nos ovários.

A avaliação da reserva ovariana é necessária para orientar as decisões, como congelar óvulos, acelerar as tentativas de gravidez ou escolher a estratégia de FIV mais adequada. No entanto, buscamos olhar de forma abrangente para o casal e realizar diversos exames, inclusive para investigar fatores masculinos, o que é feito por meio da avaliação com o andrologista, espermograma e outros testes.

Aprofunde-se no tema que trouxemos neste post: confira nosso conteúdo específico sobre avaliação da reserva ovariana!

 

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