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Infertilidade sem causa aparente: o que é?

Publicado em 14/10/2025

Dr Mauro Bibancos

A dificuldade para engravidar pode ter origem em fatores femininos, masculinos ou mistos, além de situações em que a medicina não consegue identificar os problemas subjacentes. Esse último caso é chamado de infertilidade sem causa aparente (ISCA).

A infertilidade inexplicada pode gerar ansiedade e frustração, mas é importante saber que isso não é um veredito de impossibilidade de engravidar. No cenário atual, existem técnicas eficientes de reprodução assistida que representam caminhos seguros para auxiliar esses casais.

Considera-se infértil o casal que enfrenta dificuldades para engravidar após 12 meses de relações sexuais frequentes, sem uso de métodos contraceptivos. Também se enquadra na condição de infertilidade o casal que chega a confirmar a gestação, mas não consegue levá-la adiante (abortamento espontâneo).

O prazo de tentativas de gravidez antes de procurar avaliação médica pode ser reduzido para 6 meses quando a mulher tem mais de 35 anos, pois a fertilidade feminina sofre declínio mais acentuado a partir dessa idade.

Neste artigo, vamos explicar como a infertilidade é investigada e quais são as alternativas de tratamento, inclusive para casais com ISCA. Veja a seguir!

Como é a investigação do casal infértil?

A investigação da infertilidade é um processo minucioso, que pode incluir exames físicos, laboratoriais e de imagem, além da coleta de informações detalhadas sobre a história clínica e reprodutiva, hábitos de vida, entre outras questões que ajudem o médico a ter uma suspeita diagnóstica.

Na avaliação da mulher, os principais pontos a considerar são:

  • regularidade do ciclo menstrual e da função ovulatória;
  • avaliação da reserva ovariana com exames hormonais e ultrassonografia;
  • verificação da permeabilidade tubária, geralmente pela histerossalpingografia;
  • condições estruturais do útero, por meio de exames como ultrassonografia transvaginal, histerossonografia (ultrassom com contraste) e, se necessário, histeroscopia;
  • pesquisa de trombofilia.

No homem, além da entrevista clínica e do exame físico com o urologista, a avaliação inicial requer a análise da qualidade do sêmen, por meio do espermograma. Em caso de alterações espermáticas, como a azoospermia (ausência de espermatozoides no ejaculado), exames complementares podem ser indicados, incluindo:

  • testes de função hormonal;
  • ultrassom da bolsa testicular;
  • cariótipo com banda G e Exoma (esses exames genéticos também são indicados para a mulher).

Tanto o homem quanto a mulher podem apresentar disfunções do sistema reprodutor. Assim, não cabe atribuir a responsabilidade exclusivamente a um dos parceiros: a infertilidade deve ser investigada e conduzida de maneira conjunta.

Mesmo com toda essa investigação, alguns casais não apresentam nenhuma alteração nos resultados, ou seja, nenhuma causa aparente para a infertilidade conjugal. Isso pode ocorrer devido a falhas em algum exame, mas também pode ser entendido como um limite da medicina, que nem sempre chega a respostas claras.

O que é infertilidade sem causa aparente?

A infertilidade sem causa aparente ou ISCA é um diagnóstico de exclusão: é estabelecida somente quando não se identifica nenhum fator feminino ou masculino que explique a dificuldade de engravidar, mesmo após uma avaliação completa e bem direcionada. 

Essa situação pode ocorrer por diferentes razões:

  • limitação dos exames disponíveis, de modo que algumas alterações sutis podem não ser detectadas;
  • mecanismos ainda desconhecidos, isto é, a ciência evolui constantemente, mas ainda existem aspectos da fertilidade que não são totalmente compreendidos;
  • falhas funcionais discretas, como alterações na qualidade dos óvulos ou espermatozoides, que não aparecem nos exames tradicionais.

Para muitos casais com infertilidade sem causa aparente, essa ausência de um diagnóstico claro pode ser angustiante, visto que dificulta o direcionamento do tratamento. No entanto, há possibilidades na medicina reprodutiva.

É possível engravidar com ISCA?

Sim, mesmo sem identificar os fatores de infertilidade, o casal com ISCA pode recorrer às técnicas de reprodução assistida. O tratamento pode ser iniciado com técnicas de baixa complexidade e, se necessário, prosseguir com intervenções mais complexas.

Em alguns casos, casais com infertilidade sem causa aparente conseguem, inclusive, engravidar naturalmente ao longo do tempo. No entanto, a chance de gravidez espontânea reduz quando a mulher tem mais de 35 anos. 

Os tratamentos de reprodução assistida devem ser individualizados, levando em conta idade, tempo de infertilidade, exames realizados e expectativas do casal. Entre as alternativas, estão:

  • indução da ovulação associada ao coito programado;
  • inseminação artificial;
  • fertilização in vitro (FIV);

O médico pode ainda propor abordagens combinadas, como mudanças de estilo de vida, uso de medicações específicas e acompanhamento multidisciplinar contínuo para maximizar os resultados. Além disso, na FIV é possível incluir técnicas acessórias, principalmente após falhas repetidas de implantação.

A infertilidade sem causa aparente pode representar um desafio na jornada do casal que deseja ter filhos, mas não deve ser encarada como um impasse definitivo. As técnicas da medicina reprodutiva moderna e a experiência dos profissionais que já atuam há muitos anos nesse ramo especializado podem contribuir para a realização dos planos de gravidez. 

Confira mais informações em nosso conteúdo que aborda os diferentes tipos de infertilidade: feminina, masculina e sem causa aparente!



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