A fertilidade masculina depende muito da qualidade do sêmen, e uma das formas mais simples de avaliar isso é por meio do espermograma. O exame é frequentemente solicitado durante a avaliação de casais que enfrentam dificuldades para engravidar, tendo em vista que cerca de 50% dos casos de infertilidade conjugal têm envolvimento de fatores masculinos.
O sêmen é formado por secreções produzidas pelas vesículas seminais, próstata e glândulas bulbouretrais. Cada componente é importante para proteger, nutrir e transportar os gametas até o óvulo. Além disso, uma pequena fração do líquido seminal pode conter milhões de espermatozoides.
Leia este artigo inteiro atentamente e entenda melhor como o espermograma pode avaliar a qualidade seminal!
O que é espermograma?
O espermograma é um exame laboratorial que analisa as características macro e microscópicas do sêmen, o que inclui os parâmetros dos espermatozoides. Ele é considerado uma ferramenta essencial para avaliar o status funcional dos testículos.
Apesar de sua relevância, o espermograma não é um exame para diagnóstico. Seus resultados indicam as condições seminais, mas caso alterações sejam detectadas, outros exames complementares e uma avaliação urológica detalhada podem ser necessários para determinar as causas do problema.
Além de ser realizado durante o percurso de avaliação da fertilidade conjugal, o espermograma é indicado em outras situações que demandam a análise dos parâmetros seminais, como após cirurgias de vasectomia, reversão de vasectomia e correção de varicocele.
Como esse exame avalia o sêmen?
Para a realização do espermograma, o homem deve fornecer uma amostra de sêmen coletada por masturbação, após um período de no mínimo dois dias sem ejaculação. Essa amostra é analisada em laboratório de acordo com os parâmetros definidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
O exame analisa primeiramente os aspectos macroscópicos do sêmen, são eles: volume ejaculado, coloração, pH, viscosidade e tempo de liquefação. Alterações no volume, por exemplo, podem indicar obstrução no ducto ejaculatório ou disfunção das glândulas acessórias.
Os espermatozoides são observados com a análise microscópica do espermograma. Veja quais são os aspectos avaliados e os valores de referência:
- concentração (número de espermatozoides), que deve ser de pelo menos 15 milhões por ml de sêmen e 39 milhões na amostra total;
- motilidade (capacidade de movimentação dos espermatozoides), um aspecto necessário para que consigam alcançar o óvulo. Considera-se normal ter pelo menos 40% de gametas que se movem e 32% com motilidade progressiva;
- morfologia (formato e estrutura dos espermatozoides). De acordo com esse critério, o homem precisa ter pelo menos 4% de gametas morfologicamente normais para ter chances de fertilização;
- vitalidade, refere-se ao percentual de espermatozoides vivos na amostra, que deve ser de 58% ou mais.
Quais podem ser os resultados do espermograma?

De acordo com os parâmetros da OMS, os resultados podem apontar alterações que ajudam a direcionar a investigação. Entre as principais, estão:
- baixa concentração de espermatozoides (oligozoospermia);
- ausência de espermatozoides no sêmen (azoospermia);
- baixo percentual de gametas com motilidade (astenozoospermia);
- alta porcentagem de espermatozoides com formato anormal (teratozoospermia);
- presença acima do normal de espermatozoides mortos (necrozoospermia).
O homem pode ainda apresentar duas ou mais alterações seminais, por exemplo, baixo percentual de espermatozoides com problemas de motilidade e morfologia.
A presença de uma dessas alterações não significa, necessariamente, infertilidade masculina. Os resultados podem variar em diferentes coletas, por isso, é recomendado repetir o exame após cerca de duas semanas caso o primeiro resultado apresente anormalidade.
O que fazer após o resultado?
Após os resultados do espermograma, o médico (geralmente, urologista ou ginecologista especialista em medicina reprodutiva que faz o acompanhamento do casal infértil) define os próximos passos.
Diante de alterações seminais, normalmente é feita uma investigação complementar a fim de descobrir quais são as causas dessas anormalidades. O médico pode solicitar testes de função hormonal, exames genéticos e de imagem, como a ultrassonografia da bolsa escrotal.
De acordo com as causas identificadas, o tratamento pode ser medicamentoso ou cirúrgico, ou ainda abranger as técnicas de reprodução assistida. Distúrbios hormonais, por exemplo, podem ser tratados com uso de medicação, enquanto condições estruturais, como a varicocele, podem precisar de cirurgia.
Mudanças no estilo de vida também são recomendadas para complementar os tratamentos e melhorar a qualidade seminal (evitar cigarro, reduzir o consumo de álcool, controlar o peso corporal, ter um manejo adequado do estresse etc.).
Na reprodução assistida, a fertilização in vitro (FIV) com injeção intracitoplasmática de espermatozoide (ICSI) é a técnica mais promissora para viabilizar a gestação em casos de infertilidade por fator masculino grave.
Se o homem apresentar azoospermia no resultado do espermograma, é possível fazer a recuperação de espermatozoides realizando a coleta dessas células diretamente nos testículos ou epidídimos.
Já quando o espermograma revela fatores brandos, como alterações discretas na morfologia e na motilidade espermática, uma opção de tratamento menos complexa na reprodução assistida é a inseminação artificial. Nessa situação, realiza-se o preparo seminal para selecionar uma amostra contendo os espermatozoides de melhor qualidade, os quais são introduzidos no útero da parceira com um cateter.
Embora a qualidade seminal seja determinante, vale lembrar que as chances de gravidez dependem de vários fatores do casal. Sendo assim, uma avaliação completa do homem e da mulher faz a diferença no planejamento reprodutivo.
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Dr. Mauro Bibancos | WhatsApp


