A avaliação da fertilidade de um casal deve ser ampla, considerando não apenas os fatores hormonais e anatômicos, mas também alterações genéticas que possam interferir na concepção ou na saúde do futuro bebê.
Entre os exames realizados no contexto da investigação da infertilidade conjugal está o cariótipo com banda G, uma técnica de análise cromossômica que permite identificar alterações na estrutura ou no número dos cromossomos, as quais podem causar problemas reprodutivos, como: falha de implantação do embrião no útero, aborto espontâneo ou formação de uma criança com síndrome genética.
É interessante já pontuar aqui que mesmo as pessoas que não apresentam nenhuma alteração evidente podem ter cariótipos alterados. Sendo assim, os testes genéticos são relevantes para identificar anomalias cromossômicas que os indivíduos desconhecem que têm.
O cariótipo com banda G pode revelar causas de infertilidade, respaldar o aconselhamento genético e orientar a decisão sobre quais técnicas acrescentar no tratamento de reprodução assistida. Em caso de alteração nos resultados desse exame, o casal pode receber indicação, por exemplo, para a realização do teste genético pré-implantacional (PGT), que rastreia anormalidades genéticas nos embriões antes que eles sejam transferidos para o útero, na fertilização in vitro (FIV).
Para quem é indicado o cariótipo com banda G?
O cariótipo com banda G pode ser indicado para os casais que estão em acompanhamento médico para a investigação da infertilidade, principalmente em situações de risco aumentado para alterações cromossômicas.
As possíveis indicações incluem:
- casais com infertilidade sem causa aparente (ISCA);
- falhas repetidas de implantação embrionária em ciclos de FIV;
- abortamento de repetição (duas ou mais perdas gestacionais consecutivas);
- diagnóstico de síndrome genética, como síndrome de Turner ou pré-mutação do X frágil;
- histórico familiar de síndromes genéticas ou cromossômicas;
- nascimento anterior de filho com malformação ou anomalia cromossômica.
Determinadas alterações cromossômicas equilibradas podem não causar sintomas no portador, mas estão associadas a um risco aumentado de formar embriões com desequilíbrios genéticos, que podem resultar nos problemas já citados (falhas de implantação, abortos ou desenvolvimento de síndromes genéticas).
O que o cariótipo com banda G pode identificar?

O cariótipo é o estudo do conjunto de cromossomos de uma pessoa. Cada ser humano possui 46 cromossomos, organizados em 23 pares: 22 autossomos, que dão origem às características gerais do indivíduo, e 1 par sexual (XX ou XY).
A análise do cariótipo permite observar a quantidade, a forma e a estrutura dos cromossomos, identificando possíveis alterações que possam afetar a fertilidade ou a saúde dos descendentes.
A técnica de banda G utiliza a coloração com Giemsa, que revela um padrão específico de faixas claras e escuras nos cromossomos. Esse padrão permite diferenciar cada cromossomo individualmente e detectar:
- perdas (deleções) ou ganhos (duplicações) de segmentos cromossômicos;
- translocações (trocas de segmentos entre os cromossomos);
- inversões, inserções e outras alterações estruturais;
- aneuploidias (número anormal de cromossomos), como a trissomia do 21 (síndrome de Down) ou a monossomia X (síndrome de Turner).
As aneuploidias, além de estarem associadas com síndromes cromossômicas (de Down, de Edwards, de Patau, entre outras), aumentam o risco para falhas de implantação embrionária e abortamento. Devido aos possíveis impactos clínicos, o teste genético pré-implantacional para rastreio de aneuploidias (PGT-A) é o tipo de análise genética mais realizado durante a FIV.
Com base nos resultados do PGT-A, somente os embriões euploides, isto é, com o número correto de cromossomos, são selecionados e transferidos para o útero materno. O teste não “cura” alterações genéticas, mas viabiliza o rastreamento de anomalias e a seleção de embriões saudáveis.
Como é realizado o cariótipo com banda G?
O cariótipo com banda G é feito a partir da coleta de uma amostra de sangue periférico. Em seguida, o processo envolve:
- o cultivo das células em laboratório por 72 a 96 horas;
- a interrupção da divisão celular na fase de metáfase, quando os cromossomos estão mais visíveis;
- a coloração com o corante Giemsa, que revela as bandas específicas;
- a análise microscópica dos cromossomos.
O resultado do cariótipo com banda G pode apresentar valores dentro do normal (46,XX ou 46,XY) ou apresentar alterações cromossômicas numéricas ou estruturais que exigem orientação genética específica.
Qual é a importância do cariótipo com banda G na reprodução assistida?
O cariótipo com banda G pode ter papel decisivo no planejamento e na escolha das estratégias terapêuticas da reprodução assistida. Ao detectar alterações cromossômicas nos pacientes, a equipe médica pode:
- indicar a realização do PGT durante a FIV, aumentando as chances de transferência de embriões saudáveis — além do PGT-A, que faz a investigação de aneuploidias, as opções do teste genético incluem o PGT-SR, que pesquisa rearranjos estruturais, e o PGT-M, que avalia mutações em genes específicos;
- avaliar o risco de doenças genéticas e orientar o casal sobre a probabilidade de transmissão para os descendentes;
- considerar o uso de gametas doados (óvulos ou sêmen), se o risco genético for elevado e não passível de identificação com o PGT;
- planejar um aconselhamento genético especializado, com foco na segurança da gestação e do bebê.
O cariótipo com banda G, como foi destacado neste texto, tem grande relevância na investigação da infertilidade, na avaliação das causas de perdas gestacionais recorrentes e no planejamento terapêutico, sobretudo quando o casal tem diagnóstico ou histórico familiar de síndromes genéticas. Ele oferece uma visão sobre o perfil cromossômico dos pacientes e permite que o tratamento de reprodução assistida seja mais seguro e personalizado.
Dr. Mauro Bibancos | WhatsApp


