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Um pouco da minha história

Minha história de vida profissional sempre foi repleta de amizades, como as do prédio em que eu morava, que preservo desde os meus 3 anos de idade.

Alê, o único com quem nunca estudei, era o mais engraçado, e a casa dele era quase nossa base, pois ele morava no térreo, mas Serginho (apto. 14) foi sempre o mais presente por sua família ter uma amizade muito longeva com a minha, por ser meu dentista e por ser uma das pessoas com o melhor coração que já conheci.

Quando tive a firmeza de dizer que seria médico, sem o devaneio de uma criança, fui alçado para o colégio dos vestibulares e comigo foi o outro Serginho (do apto 24), o mais inteligente de todos. Não era possível que, enquanto eu estudava, ele tocava baixo e, mesmo assim, passava na escola e no vestibular.

Finalmente comecei minha trilha médica. Cidade e cultura diferentes e novos amigos irmãos (Mow, Urcas, Zé Colmeia, Tatuí, Alce, Saldanha, Pi, Mosca, Goma, Murphy, Ruela, Duço, Naril, Panda, Chico Bento, Dick etc.), tantos apelidos de expoentes da Medicina nos dias de hoje. Risos, estudos, festas, desespero, prova de residência. Foram anos incríveis e ainda fui homenageado: escolhido para ser o orador dos amigos. Lá fiz meu discurso e falei que tudo seria diferente, só não sabia quanto.

Tornei-me médico e comecei minha formação direcionada com a equipe do renomadíssimo casal Gama (Dra. Angelita e Dr. Joaquim Gama). Consegui entrar na elite médica, ver como se portam, quanto estudam, como conseguiram ser expoentes. Comecei a decidir aonde queria chegar na área pela qual viria a optar. Ética, abnegação e amor à profissão foi o que aprendi. Foram 2 anos de um trabalho hercúleo, falta de sono, insegurança e muitas dúvidas. Mais uma vez tive um novo grupo de grandes amigos para toda a vida (Sidney, Helderson, Ari, Urias, Cassio). Passada essa fase, vieram nova prova, nova entrevista e nova vida: a Urologia! Mais amigos (Laércio, Dr. Luis, Paulo, Marcelo Mattos).

E assim, veio o POLICLINICO DI ROMA COM O PROF. FRANCO DI SILVERIO. (indicazione dal mio amico Dr. Andrea Bottoni). Morar fora do Brasil, exercitar meu italiano, entrar em centenas de procedimentos e viajar... Voltei diferente!

Após meu retorno da Itália, mudei muito meu foco. Senti a necessidade de ter o notório saber (algo que NUNCA sentimos que temos por completo!). Então fui chamado por um dos grandes grupos de Reprodução Humana para trabalhar, e assim começou uma grande batalha interna. Era Urologista, titulado, bem formado, com Fellowship na Itália, trabalhando com um grande volume de pacientes, dando aula na pós-graduação de Reprodução Humana e com título de especialista em Reprodução Humana. Contudo, sentia que, quando o problema era feminino, existia uma desconfiança. Desconfiavam da capacidade de um Urologista resolver o problema como um Ginecologista o faria. Como provar isso de forma cabal?

Foi nesse contexto que, no mundo da Reprodução Humana, um grupo despontava como um dos grandes celeiros de aprendizado: Instituto Valenciano de Infertilidad. Nova unidade em Sevilha, Dra. Gloria Calderon no laboratório, Dr. José Navarro chefiando a unidade. Juntei dinheiro, fiz aulas particulares de espanhol por quase 2 anos e para lá eu fui. Um mundo tecnológico e clínico se abriu para mim e, como sempre, muitos amigos, em especial um jovem estagiário, que anos mais tarde se tornaria o famoso Dr. Manuel Fernandez. Em Sevilla, tive uma das grandes lembranças da minha vida. Após meu Fellowship, recebi toda a minha família e minha esposa para viajarmos todos juntos. Grande recordação dada por minha mãe. Foi INCRÍVEL! Um dos pontos máximos de minha vida.

Voltei cheio de convites, de ideias e comecei a colocá-las em prática. Logo fui alçado a um grande desafio: de não mais ser assistente, mas de chefiar um grande grupo de Reprodução Humana no Brasil, e por lá fiquei 14 anos, com um movimento incrível devido a essa dupla habilidade adquirida. Com boa bagagem, experiência e, agora, exposição, comecei a trilhar a vida acadêmica e fiz meu primeiro Mestrado (na Santa Casa de São Paulo). E não é que fui fazê-lo no departamento de Ginecologia? Finalmente cruzei a linha que precisava, mas ainda faltava algo.

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Dr. Mauro Bibancos

Especialista

em reprodução

Humana

Em 2011, após o meu mestrado em Ginecologia na Santa Casa de São Paulo, ainda me sentia insatisfeito, aquém do que ainda poderia fazer. Um dia, atravessei o corredor até́ a sala de um grande amigo, Dr. Paulo Serafini (grande referência na Reprodução Humana, assim como o Dr. Edson Borges Jr.), e tive uma conversa longa de improviso (como sempre) e falei que queria me preparar para ir para fora do Brasil, agora como especialista, não como estagiário. Queria estudar, criar vínculos de trabalhos com o exterior, testar conceitos vindos de nós para eles e não mais fazer o que os estrangeiros preconizavam. Queria ir à Bélgica (berço da Medicina Reprodutiva), pois sabia que o Prof. Herman Tournaye acabara de se tornar chefe lá. Pesquisa em sêmen, congelamento de embriões, uso de medicação de liberação lenta e ciclo natural. O e-mail do Prof. Paulo foi respondido rapidamente e para lá eu ia. Só que já era mais velho, cheio de contas, compromissos, filhos, cargos e problemas. Não tinha dinheiro suficiente para isso, não tinha como levar todos, deixar de ganhar dinheiro, honrar minhas contas, enfim. Foi aí que minha amiga e heroína, minha esposa, se sentou comigo e disse: “venderemos o que for preciso, seguraremos os gastos, nossos filhos ficarão bem comigo, e você vai. São tantas ideias, tanto idealismo, tanto amor no que faz… vá e, se conseguir guardar alguma coisa, faremos uma viagem na sua volta”.

Lá fui eu para Bruxelas. Treinei inglês com meu prof. e amigo Newton Cesar. Não era mais tão jovem. Virei notícia no centro de Reprodução: urologista que fazia parte masculina e feminina. Na verdade, esse não seria um capítulo à parte, mas um livro.

Mescla de empolgação com medo, dúvida, e achando que teria que viver até os 120 anos pra fazer tudo que queria. Quase ao final disso tudo eu havia formado GRANDES amizades, como em toda a minha carreira (Christophe Blockeel, Michel Devos – diretores do centro), e fui agraciado com o convite para um curso fechado, que só poderia ser feito com convite individualizado. QUE IMERSÃO! Começava finalmente a sentir que tinha nível para estar lá, uma formação muito sólida. Encontrei meu amigo e sua querida esposa na Bélgica e revelei que queria fazer o primeiro congresso internacional nosso, trazer a nata para o Brasil.

Voltei para o Brasil e assim o fiz. Consegui meu mestrado na Itália (Padova) e a amizade de todos. Em duas versões desse empreendimento, lotamos as vagas e realmente me projetei.

Fui algumas vezes à Itália, trouxe meu canudo de MESTRE em Andrologia e finalmente o meu grande objetivo: PESQUISADOR ASSOCIADO À UNIVERSIDADE EUROPEIA (PADOVA) com dois dos melhores pesquisadores do mundo, meus amicíssimos Dr. Andrea Garolla e Dr. Carlo Foresta.

Após o meu retorno, o ritmo dos eventos em minha vida foi frenético. Dois congressos internacionais como coordenador, aulas nacionais e internacionais, mestrado nacional e internacional, dedicatória feita aos meus mentores em plenária lotada, convites internacionais e muitas amizades. Claro que sempre tenho um sentimento de que poderia fazer mais e crescer meu currículo, mas, finalmente, minha intuição tinha mudado. Estava pronto!

Nesse cenário, em uma quinta-feira à tarde, fui requisitado por um dos meus mentores para uma reunião. Com fala mansa, experiência e um conhecimento profundo sobre meus desejos futuros, ele me disse: “Sente e me escute. Preste atenção, senão não irá levar em consideração o que falarei, pois está sempre correndo e atrás de algo… vá e voe! Nossas mudanças internas não atenderão suas expectativas e você pode mais, muito mais.”

Saí de lá e não voltei mais. O mercado se abriu, meu amigo e mentor Dr. Edson Borges Jr. me chamou de volta, passei a fazer atendimentos em Campinas (FIVMED, Urohominis), Hospital Moriah, Hcor, Jundiaí e, por último e talvez o mais honroso, ser chamado por minha Universidade (PUC-Campinas) para ser Prof. Adjunto e assumir uma área inexistente. Aulas, pesquisas, publicações, mais congressos e tudo virou a maravilhosa loucura que vivo nos dias de hoje. Planos futuros, monitoria, pesquisas internacionais e nacionais em andamento. Formei meu grupo, juntei-me com amigos e fico pensando que terei que viver até os 120 anos para fazer tudo o que quero.

É bom olhar para trás e ver o edifício Ivone, colégio São Francisco Xavier, colégio Bandeirantes, PUC-Campinas, Policlínico de Roma, Instituto Valenciano de Infertilidade – Sevilha, Universidade de Padova, Universidade Livre da Bélgica e todos os outros lugares que vivi e trabalhei, e dizer que fiz amigos e que todos me forjaram a ser o que sou. Sou muito grato a todos os meus amigos e meus pacientes!